HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023
Casal consulta por desejo de gestação. A mulher tem 38 anos, é nuligesta, IMC 33 kg/m² e história de doença inflamatória pélvica tratada na adolescência. O homem tem 39 anos, 2 filhos de outro relacionamento, usa testosterona para melhor desempenho no esporte e realizou vasectomia aos 35 anos. Em relação aos fatores associados ao risco de infertilidade desse casal e as possibilidades de prevenção, afirma-se:I. Para o homem, a melhor opção é a reversão da vasectomia. Se, após 6 meses do procedimento, os parâmetros seminais não forem satisfatórios, uma nova cirurgia para reversão está indicada. Nesse caso, a testosterona pode continuar sendo usada com intuito de estimular uma maior produção de espermatozoides.II. A idade materna avançada está relacionada a menores taxas de gestação espontânea. No entanto, nos tratamentos de fertilização in vitro com óvulos próprios, esse fator não tem impacto relevante do ponto de vista oocitário, mas sim pelo envelhecimento uterino.III. A principal causa de infertilidade feminina é o fator tubário, que está relacionado à doença inflamatória pélvica, sendo a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae os patógenos mais comuns. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
Fator tubário = principal causa infertilidade feminina, DIP por Chlamydia/Neisseria.
A infertilidade feminina frequentemente tem como causa o fator tubário, decorrente de sequelas de Doença Inflamatória Pélvica (DIP), sendo a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae os agentes etiológicos mais comuns. A idade materna avançada afeta primariamente a qualidade oocitária, e o uso de testosterona exógena em homens suprime a espermatogênese.
A infertilidade conjugal é definida como a incapacidade de um casal conceber após 12 meses de relações sexuais desprotegidas (ou 6 meses se a mulher tiver mais de 35 anos). É um problema complexo que afeta cerca de 15% dos casais, com causas femininas, masculinas e combinadas. Para residentes, é fundamental compreender os principais fatores etiológicos e suas implicações. No contexto feminino, o fator tubário é uma das principais causas de infertilidade, frequentemente decorrente de sequelas de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae são os patógenos mais comuns associados à DIP, que pode levar à obstrução ou disfunção das tubas uterinas. A idade materna avançada, especialmente após os 35 anos, também é um fator crucial, impactando a reserva ovariana e a qualidade oocitária, resultando em menores taxas de gestação e maior risco de aborto. No homem, a vasectomia é uma causa conhecida de infertilidade, mas sua reversão nem sempre garante a fertilidade. Além disso, o uso de testosterona exógena, comum em atletas, é uma causa iatrogênica de infertilidade, pois suprime a espermatogênese. O manejo da infertilidade exige uma abordagem multidisciplinar, incluindo investigação completa de ambos os parceiros e opções como reversão cirúrgica, técnicas de reprodução assistida (FIV) e tratamento de infecções.
A DIP pode causar danos irreversíveis às tubas uterinas, levando à obstrução ou disfunção tubária. Isso impede o encontro do óvulo com o espermatozoide ou a passagem do embrião para o útero, resultando em infertilidade.
Com o avanço da idade, especialmente após os 35 anos, há uma diminuição progressiva da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos. Isso resulta em menores taxas de concepção espontânea e maior risco de abortos e anomalias cromossômicas.
A testosterona exógena suprime a produção de FSH e LH pela hipófise, que são hormônios essenciais para a espermatogênese nos testículos. Isso leva à diminuição da produção de espermatozoides, podendo causar azoospermia ou oligozoospermia.
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