SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2021
Um casal que tenta engravidar há dois anos comparece ao consultório de um especialista para investigar infertilidade. O homem tem 37 anos de idade, é obeso e tabagista, possui dois filhos com suas ex-esposas e nega trauma testicular ou varicocele. A mulher tem 36 anos de idade, nunca gestou, afirma ser triatleta e ingere bastante café para tolerar a rotina agitada. Nega doenças atuais, referindo somente passado de tratamento radioterápico em razão de neoplasia óssea no quadril. Relata também ciclos menstruais regulares desde a menarca, com duração de cinco dias, fluxo leve-moderado e associado a dismenorreia leve. Nega acne ou hirsutismo.Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, assinale a alternativa correta.
Avaliação reserva ovariana = AMH + CFA. Radioterapia pélvica é fator de risco importante.
A avaliação da reserva ovariana é um passo crucial na investigação da infertilidade feminina, especialmente em pacientes com fatores de risco como idade avançada ou histórico de radioterapia pélvica. Os principais marcadores para essa avaliação são a dosagem do Hormônio Antimulleriano (AMH) e a Contagem de Folículos Antrais (CFA) por ultrassonografia transvaginal.
A infertilidade é definida como a incapacidade de conceber após 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas para mulheres com menos de 35 anos, ou após 6 meses para mulheres com 35 anos ou mais. A investigação de um casal infértil deve ser abrangente, abordando fatores masculinos e femininos, que contribuem igualmente para a etiologia. Fatores como idade avançada, obesidade, tabagismo e histórico de tratamentos oncológicos (como radioterapia pélvica) são cruciais na avaliação inicial. No caso da mulher, a avaliação da reserva ovariana é um pilar fundamental, especialmente com o avanço da idade ou histórico de tratamentos gonadotóxicos. Os principais marcadores para essa avaliação são a dosagem sérica do Hormônio Antimulleriano (AMH) e a Contagem de Folículos Antrais (CFA) por ultrassonografia transvaginal. O AMH reflete o pool de folículos em crescimento e é um bom preditor da resposta ovariana à estimulação, enquanto a CFA avalia o número de folículos visíveis em um determinado ciclo. A radioterapia pélvica, como no caso da paciente, é um fator de risco significativo para a diminuição da reserva ovariana e insuficiência ovariana prematura. Outros aspectos importantes na investigação feminina incluem a avaliação da ovulação (dosagem de progesterona na fase lútea média, não no 3º dia do ciclo), a perviedade tubária (histerossalpingografia ou cromotubagem por laparoscopia) e a anatomia uterina. Para o homem, a análise seminal (espermograma) é essencial, avaliando parâmetros como concentração, motilidade (astenospermia) e morfologia (teratozoospermia) dos espermatozoides. Um manejo eficaz da infertilidade requer uma abordagem sistemática e individualizada, considerando todos os fatores de risco e resultados dos exames para oferecer as melhores opções terapêuticas ao casal.
No homem, os fatores de risco incluem idade (37 anos), obesidade e tabagismo. Na mulher, a idade (36 anos) e, principalmente, o histórico de tratamento radioterápico na região pélvica por neoplasia óssea são fatores de risco significativos para a reserva ovariana e a função reprodutiva.
O AMH é produzido pelas células da granulosa dos folículos pré-antrais e antrais pequenos, refletindo diretamente o pool de folículos ovarianos em crescimento. A CFA, realizada por ultrassonografia, conta os folículos de 2-10 mm nos ovários. Ambos são excelentes preditores da resposta ovariana à estimulação e da reserva ovariana geral.
A radioterapia pélvica pode causar danos significativos aos ovários, levando à destruição dos folículos ovarianos e à diminuição da reserva ovariana, resultando em insuficiência ovariana prematura. Além disso, pode afetar o útero, comprometendo a receptividade endometrial e a capacidade de gestação.
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