AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
Nulípara de 25 anos vem à consulta porque parou de usar anticoncepcional há 6 meses e ainda não conseguiu engravidar. Apresenta ciclos menstruais a cada 26 e 30 dias. Nega internações, cirurgias e tratamentos prévios para doenças como clamídia, gonococo ou sífilis. Informa que faz uso de maconha para relaxar no final do dia, pois o seu trabalho é muito cansativo. Toma pelo menos 5 xícaras de café (575 mg de cafeína) ao dia para ficar alerta. No exame físico, sua pressão arterial era 110/70 mmHg e o índice de massa corporal (IMC) era 28. Os demais achados estavam dentro da normalidade. O médico tranquilizou a paciente e disse que ela deveria esperar 1 ano para iniciar a investigação da infertilidade, e que poderia continuar a vida como estava levando, sem se preocupar. Considerando essas informações, pode-se afirmar que a conduta do médico está:
Mulheres <35 anos investigam infertilidade após 1 ano, mas fatores de risco (IMC elevado, maconha, alta cafeína) devem ser abordados precocemente.
Embora a investigação formal de infertilidade para mulheres jovens (<35 anos) geralmente comece após 12 meses de tentativas, é crucial abordar e modificar fatores de risco conhecidos, como IMC elevado, uso de substâncias (maconha) e consumo excessivo de cafeína, que podem impactar negativamente a fertilidade.
A infertilidade é definida como a incapacidade de conceber após 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas para mulheres com menos de 35 anos, ou 6 meses para mulheres com 35 anos ou mais. Embora a paciente da questão tenha apenas 6 meses de tentativas, a presença de múltiplos fatores de risco modificáveis justifica uma intervenção precoce no estilo de vida, mesmo antes da investigação formal. Fatores como o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado (IMC de 28 indica sobrepeso) estão fortemente associados à disfunção ovulatória e à redução da fertilidade. O aconselhamento para atingir um IMC saudável (geralmente entre 18,5 e 24,9 kg/m²) é uma medida fundamental. Além disso, o uso de substâncias como a maconha e o consumo excessivo de cafeína (575 mg/dia é significativamente alto, o limite recomendado para gestantes ou tentantes é geralmente 200 mg/dia) são conhecidos por impactar negativamente a fertilidade e o desenvolvimento gestacional. A conduta do médico deve incluir um aconselhamento abrangente sobre a modificação desses fatores de risco. Orientar a paciente a cessar o uso de maconha, reduzir o consumo de cafeína e buscar um peso saudável são intervenções de baixo custo e alto impacto que podem melhorar significativamente suas chances de concepção e a saúde de uma futura gravidez, mesmo antes de iniciar uma investigação de infertilidade mais aprofundada.
Para mulheres com menos de 35 anos, a investigação de infertilidade geralmente é iniciada após 12 meses de relações sexuais desprotegidas e regulares sem concepção. Para mulheres acima de 35 anos, esse período é reduzido para 6 meses.
O IMC elevado (sobrepeso/obesidade) pode causar disfunção ovulatória, irregularidades menstruais e alterações hormonais que dificultam a concepção. Também aumenta o risco de complicações na gravidez.
O uso de maconha pode afetar a ovulação e a qualidade dos óvulos, além de ter impactos negativos na gravidez. O consumo excessivo de cafeína (acima de 200-300 mg/dia) também tem sido associado a um risco aumentado de infertilidade e aborto espontâneo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo