Infertilidade: Hidrossalpinge e FIV com Salpingectomia

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Nuligesta, 24 anos, há um ano tenta engravidar sem sucesso. Apresenta ciclos menstruais de 27 a 29 dias, com fluxo normal. Tem atividade sexual regular, com relação pênis vagina quatro vezes na semana. Marido, 28 anos, tem três filhos de outro relacionamento e nega comorbidades. Exames complementares: FSH 5,4 mUl/mL (2,8 a 14,4 mUl/mL), TSH μUl/mL (0,3 a 4,0 μUl/mL). Ultrassonografia transvaginal com útero e ovários normais e contagem de folículos antrais de 9 em cada ovário, imagem hipoecogênica alongada em topografia de anexo esquerdo. Histerossalpingografia com cavidade uterina normal, trompa direita filiforme e trompa esquerda dilatada, sem passagem de contraste bilateralmente. Espermograma com volume de 2mL, 16 milhões de espermatozoides/mL, 50% vivos, 30% de motilidade progressiva e 5% normais (critério de Kruger).Qual é o melhor tratamento para esse casal?

Alternativas

  1. A) Ciclo de fertilização in vitro.
  2. B) Coito programado após indução da ovulação.
  3. C) Ciclo de fertilização in vitro após salpingectomia.
  4. D) Inseminação intrauterina após indução da ovulação.

Pérola Clínica

Infertilidade por fator tubário bilateral (hidrossalpinge) + fator masculino leve → FIV após salpingectomia para otimizar resultados.

Resumo-Chave

O casal apresenta infertilidade por fator tubário bilateral (hidrossalpinge à esquerda e obstrução bilateral na HSG) e um fator masculino leve (oligozoospermia e motilidade reduzida). A Fertilização in vitro (FIV) é o tratamento de escolha para fator tubário. A salpingectomia pré-FIV é recomendada em casos de hidrossalpinge para melhorar as taxas de sucesso da FIV, pois o líquido da hidrossalpinge pode ser embriotóxico.

Contexto Educacional

A infertilidade é definida como a incapacidade de conceber após 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas para mulheres com menos de 35 anos, ou 6 meses para mulheres com 35 anos ou mais. A investigação da infertilidade é complexa e envolve a avaliação de fatores femininos (ovulatórios, tubários, uterinos) e masculinos. No caso apresentado, temos um fator tubário bilateral evidente pela histerossalpingografia, com a presença de hidrossalpinge à esquerda, e um fator masculino leve, caracterizado por oligozoospermia e motilidade espermática ligeiramente reduzida. O fator tubário bilateral, especialmente com hidrossalpinge, é uma indicação clara para a Fertilização in vitro (FIV), pois a obstrução impede o encontro dos gametas e a migração do embrião. A hidrossalpinge, além de obstruir, pode liberar um líquido tóxico para o útero, prejudicando a implantação embrionária. Por isso, a salpingectomia (remoção da trompa afetada) antes da FIV é uma conduta recomendada para otimizar as taxas de sucesso do tratamento. Tratamentos de baixa complexidade, como coito programado ou inseminação intrauterina, não seriam eficazes diante da obstrução tubária bilateral. O espermograma, avaliado pelos critérios de Kruger, fornece informações detalhadas sobre a morfologia espermática, que, juntamente com a concentração e motilidade, guiam a decisão terapêutica. O domínio desses conceitos é fundamental para a prática clínica em reprodução assistida e para o sucesso em provas de residência médica.

Perguntas Frequentes

Por que a hidrossalpinge bilateral impede a gravidez natural e qual o tratamento?

A hidrossalpinge bilateral impede a gravidez natural porque as trompas de Falópio estão obstruídas e dilatadas, impedindo o encontro do óvulo com o espermatozoide e a passagem do embrião para o útero. O tratamento de escolha para infertilidade nesses casos é a Fertilização in vitro (FIV).

Qual a importância da salpingectomia antes da Fertilização in vitro (FIV) em casos de hidrossalpinge?

A salpingectomia (remoção da trompa) antes da FIV é importante porque o líquido acumulado na hidrossalpinge pode refluir para a cavidade uterina, sendo embriotóxico e reduzindo as taxas de implantação e gravidez na FIV. A remoção da trompa doente melhora significativamente o prognóstico da FIV.

Como o espermograma com critério de Kruger auxilia na avaliação da infertilidade masculina?

O critério de Kruger avalia a morfologia espermática de forma rigorosa, sendo um dos parâmetros mais preditivos para o potencial de fertilização. Valores abaixo de 4% de formas normais são considerados teratozoospermia grave, enquanto 5% (como no caso) indica uma morfologia limítrofe, contribuindo para o fator masculino leve.

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