UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Mulher, 32 anos de idade, não consegue engravidar há 3 anos. O casal tem relações sexuais frequentes (3-4 vezes por semana) sem métodos contraceptivos. O ciclo menstrual é regular. Nega dismenorreia. Exame físico: sem alterações. Qual é a conduta mais adequada?
Infertilidade com ciclos regulares → Avaliar fator tuboperitoneal (Histerossalpingografia) e masculino (Espermograma).
Em mulheres jovens com ciclos menstruais regulares, a ovulação é provável; portanto, a investigação inicial deve priorizar a permeabilidade das tubas uterinas e o fator masculino.
A infertilidade conjugal afeta aproximadamente 15% dos casais em idade reprodutiva. O diagnóstico de infertilidade é clínico, baseado no tempo de tentativa sem sucesso. No caso de mulheres com ciclos regulares, a probabilidade de anovulação crônica é baixa, o que direciona o raciocínio clínico para causas mecânicas ou masculinas. A histerossalpingografia permanece como o exame de triagem padrão para o fator tubário devido ao seu custo-benefício e capacidade de fornecer informações anatômicas cruciais. Embora a ultrassonografia transvaginal seja útil para avaliar o útero e ovários (miomas, cistos), ela não substitui a histerossalpingografia na avaliação da permeabilidade das tubas, a menos que seja realizada a histerossonossalpingografia com contraste específico.
A investigação deve ser iniciada após 12 meses de relações sexuais frequentes e desprotegidas em mulheres com menos de 35 anos. Para mulheres com 35 anos ou mais, o prazo é reduzido para 6 meses. Em casos com histórico de endometriose, doença inflamatória pélvica ou cirurgias abdominais prévias, a investigação pode ser imediata.
A histerossalpingografia é um exame radiológico contrastado que avalia a arquitetura interna da cavidade uterina (identificando pólipos, sinéquias ou malformações) e, principalmente, a patência das tubas uterinas. A passagem do contraste para a cavidade peritoneal (Prova de Cotthe positiva) confirma a permeabilidade tubária, essencial para o encontro do óvulo com o espermatozoide.
A propedêutica básica foca em três pilares: 1) Fator Masculino (avaliado pelo espermograma); 2) Fator Ovulatório (avaliado pela regularidade menstrual, dosagem de progesterona na fase lútea ou USG seriada); e 3) Fator Tuboperitoneal/Uterino (avaliado pela histerossalpingografia).
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