Infertilidade Conjugal: Guia de Investigação Inicial

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020

Enunciado

Casal procurou ginecologista com queixa de não gravidez após 18 meses de relações sexuais sem nenhum tipo de anticoncepção. Ela tem 36 anos e ele 38, sem nenhum antecedente pessoal e familiar. Também não têm nenhuma queixa clinica com exceção da infertilidade relatada. O exame ginecológico foi normal. Diante do quadro relatado, assinale a alternativa com a conduta inicial recomendada.

Alternativas

  1. A) Solicitar inicialmente espermograma, histeroscopia e dosagens plasmáticas dapaciente, de FSH e Estradiol.
  2. B) Fazer biópsia do endométrio no 14º dia do ciclo menstrual e fazer a curva detemperatura basal da paciente.
  3. C) Dosar anticorpo antimulleriano, solicitar ultrassonografia de testículos e histeroscopiadiagnóstica.
  4. D) Solicitar espermograma, dosagem de progesterona plasmática entre o 22º e 24º diado ciclo menstrual e ultrassonografia transvaginal.
  5. E) Realizar videolaparoscopia diagnóstica com teste de permeabilidade tubária.

Pérola Clínica

Infertilidade >12 meses (<35a) ou >6 meses (>35a) → Investigar fator masculino (espermograma), ovulatório (progesterona) e uterino/tubário (USG/HSG).

Resumo-Chave

A investigação inicial da infertilidade conjugal deve ser abrangente, abordando os fatores masculino, ovulatório e uterino/tubário. Para mulheres acima de 35 anos, a investigação deve ser iniciada mais precocemente (após 6 meses de tentativas).

Contexto Educacional

A infertilidade conjugal é definida como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas para casais onde a mulher tem menos de 35 anos, ou após 6 meses se a mulher tiver 35 anos ou mais. É uma condição que afeta cerca de 15% dos casais e pode ter causas masculinas, femininas ou combinadas, além de casos de infertilidade sem causa aparente. A investigação inicial deve ser sistemática e menos invasiva, começando pela avaliação do fator masculino com espermograma. Para a mulher, a avaliação inclui a confirmação da ovulação (dosagem de progesterona na fase lútea), avaliação da reserva ovariana (FSH, Estradiol, AMH no 3º dia do ciclo, contagem de folículos antrais por USG transvaginal) e avaliação da anatomia uterina e tubária (USG transvaginal para útero e ovários, e histerossalpingografia para permeabilidade tubária, que geralmente não é o primeiro exame). O manejo da infertilidade exige uma abordagem multidisciplinar e individualizada. É crucial que o residente compreenda a sequência lógica dos exames para otimizar o diagnóstico e evitar procedimentos desnecessários, garantindo um tratamento eficaz e minimizando o estresse para o casal. A idade da mulher é um fator prognóstico crucial e deve guiar a celeridade da investigação.

Perguntas Frequentes

Quando a investigação da infertilidade deve ser iniciada?

A investigação da infertilidade deve ser iniciada após 12 meses de relações sexuais desprotegidas em mulheres com menos de 35 anos, ou após 6 meses em mulheres com 35 anos ou mais, devido à diminuição da reserva ovariana com a idade.

Quais são os exames iniciais essenciais para o homem na investigação da infertilidade?

O espermograma é o exame inicial e mais importante para o homem, avaliando a concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Ele deve ser realizado após um período de abstinência sexual de 2 a 7 dias.

Como avaliar o fator ovulatório na investigação da infertilidade feminina?

O fator ovulatório é avaliado principalmente pela dosagem de progesterona plasmática na fase lútea média (entre o 22º e 24º dia de um ciclo de 28 dias), que deve estar elevada (>3 ng/mL) para indicar ovulação. Outros métodos incluem a curva de temperatura basal e ultrassonografia seriada para monitorar o crescimento folicular.

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