PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020
Mulher, 34 anos de idade, nuligesta, casada, tenta engravidar há 1 ano e 6 meses sem sucesso. Nega comorbidades. Refere ciclos menstruais regulares, durando 5 dias com fluxo normal, porém com dismenorreia leve. Também queixa de dispareunia de profundidade. Nega outros sintomas. Ao exame especular, conteúdo vaginal fisiológico e colo sem alterações. Ao toque vaginal, útero em anteroversoflexão, de volume normal, desconforto à mobilização do colo. Ausência de dor à palpação de anexos. Diante do quadro descrito, indique a conduta a ser adotada.
Investigação de infertilidade inicia-se após 1 ano e deve ser simultânea no casal.
A investigação básica de infertilidade deve ser iniciada após 12 meses de tentativas e envolve obrigatoriamente a avaliação do fator masculino e feminino de forma concomitante.
A infertilidade afeta aproximadamente 15% dos casais em idade reprodutiva. O diagnóstico é definido pela ausência de gravidez após um ano de coito desprotegido. É fundamental que o médico assistente compreenda que a infertilidade é uma condição do casal; portanto, a investigação deve ser paralela. O espermograma é um exame de baixo custo e não invasivo, devendo ser um dos primeiros solicitados. No caso clínico apresentado, a paciente apresenta sintomas sugestivos de endometriose (dispareunia de profundidade e desconforto à mobilização do colo), porém, antes de avançar para métodos diagnósticos invasivos como a laparoscopia, deve-se seguir o fluxograma padrão de investigação de infertilidade, garantindo que o fator masculino e a patência tubária sejam avaliados primeiro.
A investigação deve ser iniciada após 1 ano de relações sexuais regulares sem uso de métodos contraceptivos em mulheres com menos de 35 anos. Para mulheres com 35 anos ou mais, o prazo é reduzido para 6 meses devido ao declínio acelerado da reserva ovariana. Em casos com histórico óbvio de patologia (ex: amenorreia, doença tubária conhecida), a investigação pode ser imediata.
A propedêutica básica inclui o espermograma para o homem (fator masculino responde por cerca de 40% dos casos) e, para a mulher, a avaliação da reserva ovariana/ovulação e a histerossalpingografia para avaliar a patência tubária e a cavidade uterina. Exames hormonais como FSH, LH, Estradiol e Progesterona também fazem parte da triagem inicial.
A laparoscopia não é um exame de primeira linha. Ela é reservada para casos onde os exames básicos foram inconclusivos (Infertilidade Sem Causa Aparente - ISCA) ou quando há forte suspeita clínica de patologia pélvica que exija tratamento cirúrgico, como a endometriose profunda ou aderências tubárias graves identificadas em exames de imagem.
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