IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2024
Sobre as infecções de vias aéreas superiores em pediatria é CORRETO afirmar:
Crianças < 3 anos têm alta frequência de IVAS (≥ 8/ano) = Normalidade fisiológica.
É comum que crianças pequenas, especialmente aquelas em creches ou escolas, apresentem um grande número de infecções de vias aéreas superiores por ano. Isso reflete a imaturidade do sistema imunológico e a exposição a novos patógenos, e não necessariamente uma imunodeficiência.
As infecções de vias aéreas superiores (IVAS) são as doenças mais comuns na infância, sendo a maioria de etiologia viral. O resfriado comum, a faringite e a otite média aguda são exemplos frequentes. É fundamental que médicos e residentes compreendam a história natural dessas infecções e os critérios para diferenciar quadros virais de bacterianos, evitando o uso desnecessário de antibióticos. Em relação ao diagnóstico, a sinusite bacteriana em crianças é primariamente clínica, e exames de imagem como o raio-X de seios da face não são recomendados devido à sua baixa acurácia e exposição à radiação. Para faringite estreptocócica, o teste rápido de detecção de antígeno tem boa especificidade, mas sensibilidade variável, e um resultado negativo em casos de alta suspeita clínica pode necessitar de confirmação por cultura. O tratamento da otite média aguda geralmente inicia com Amoxicilina, reservando a Amoxicilina-Clavulanato para situações específicas. Um ponto crucial é a compreensão da frequência normal de IVAS em crianças. É esperado que crianças pequenas apresentem múltiplos episódios anuais, o que não deve ser interpretado como imunodeficiência, mas sim como parte do desenvolvimento do sistema imunológico. O tratamento sintomático é a base para rinossinusites virais, com cautela no uso de antialérgicos e corticoides inalatórios, que não são rotineiramente indicados para todos os casos.
Crianças saudáveis, especialmente aquelas que frequentam creches ou escolas, podem apresentar de 6 a 8 ou até mais episódios de IVAS por ano, principalmente nos primeiros 3 anos de vida. Essa alta frequência é considerada normal devido à imaturidade imunológica e à exposição constante a novos vírus.
Não, o raio-X de seios da face tem baixa sensibilidade e especificidade em crianças e não é recomendado para o diagnóstico de sinusite bacteriana. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na persistência ou piora dos sintomas de resfriado comum.
A Amoxicilina é a primeira escolha para otite média aguda. A Amoxicilina-Clavulanato é reservada para casos de falha terapêutica após 48-72 horas de Amoxicilina, para crianças com fatores de risco para bactérias resistentes (ex: uso recente de antibióticos) ou em áreas com alta prevalência de cepas produtoras de beta-lactamase.
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