USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Menina de 2 anos vem ao consultório do pediatra com queixa de apresentar episódios de coriza, febre, odinofagia e vômitos, diagnosticados como faringites, com frequência de 6 vezes ao ano desde os 8 meses de vida. Refere obstrução nasal, espirros e tosse seca ocasionalmente. Apresenta bom ganho de peso. Nega necessidade de antimicrobianos para tratamento das infecções. Entrou na escola com 6 meses de idade. Calendário vacinal: atualizado, com exceção da vacina contra meningococos ACWY. Baseado neste caso clínico, assinale a alternativa correta. Trata-se de uma paciente com infecções de repetição, provavelmente devido.
Criança com infecções de repetição, bom ganho de peso, sem ATB, em creche → exposição escolar.
Infecções de repetição em crianças, especialmente faringites e IVAS, são comuns quando há exposição a ambientes coletivos como a escola ou creche. O bom ganho de peso e a ausência de necessidade de antimicrobianos sugerem que não se trata de imunodeficiência primária ou doença grave, mas sim de maior contato com patógenos virais.
Infecções de repetição são uma queixa comum na pediatria, gerando preocupação em pais e profissionais. É fundamental diferenciar as infecções consideradas 'normais' para a idade e exposição das que podem indicar uma condição subjacente mais grave. Crianças em idade pré-escolar, especialmente aquelas que frequentam creches ou escolas, são naturalmente mais suscetíveis a infecções virais respiratórias e gastrointestinais devido à imaturidade do sistema imunológico e ao contato frequente com novos patógenos. A fisiopatologia das infecções de repetição em crianças expostas a ambientes coletivos está ligada à constante reexposição a diferentes cepas virais e bacterianas, que estimulam o sistema imunológico em desenvolvimento. O diagnóstico diferencial inclui rinite alérgica (que pode predispor a infecções), doença do refluxo gastroesofágico (associada a sintomas respiratórios), e, em casos mais graves, imunodeficiências primárias ou secundárias. No entanto, a maioria das crianças com bom desenvolvimento pondero-estatural e infecções autolimitadas, sem necessidade de antibióticos frequentes, tem um prognóstico benigno. A conduta para infecções de repetição geralmente envolve medidas de suporte, higiene e, se necessário, tratamento sintomático. É crucial avaliar o calendário vacinal e descartar fatores de risco para infecções graves. A orientação aos pais sobre a natureza benigna da maioria dessas infecções e a importância da higiene das mãos e da não automedicação é essencial. Em casos de sinais de alerta (infecções graves, atípicas, falha de crescimento), uma investigação mais aprofundada para imunodeficiências ou outras condições crônicas é indicada.
As causas mais comuns incluem a exposição a ambientes coletivos (creches, escolas), imaturidade do sistema imunológico, alergias respiratórias, e, mais raramente, imunodeficiências primárias ou doenças crônicas como refluxo gastroesofágico ou fibrose cística.
Deve-se suspeitar de imunodeficiência primária em casos de infecções graves, incomuns, persistentes, que requerem antibióticos intravenosos ou hospitalização, ou quando há falha de crescimento e desenvolvimento, infecções por germes oportunistas, ou história familiar de imunodeficiência.
Em ambientes escolares ou de creche, as crianças estão em contato próximo com um grande número de outras crianças, facilitando a transmissão de vírus e bactérias respiratórias e gastrointestinais, o que leva a um aumento natural na frequência de infecções, especialmente nos primeiros anos de adaptação.
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