Tratamento de Infecções Oportunistas na AIDS: Guia Prático

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023

Enunciado

Considerando um paciente com AIDS, numere a COLUNA II de acordo com a COLUNA I, correlacionando as doenças oportunistas a seus respectivos tratamentos. COLUNA I 1. Pneumocistose 2. Criptosporidiose 3. Toxoplasmose cerebral 4. Aspergilose pulmonar 5. Micobacteriose atípica COLUNA II ( ) Claritromicina ( ) Anidulafungina ( )Nitazoxanida ( )Clindamicina ( )Cotrimexazol Assinale a sequência correta.

Alternativas

  1. A) 54231.
  2. B) 14532.
  3. C) 31524.
  4. D) 52314.

Pérola Clínica

Pneumocistose=SMX-TMP; Toxoplasmose=Clinda/Sulfadiazina; MAC=Claritro; Cripto=Nitazoxanida.

Resumo-Chave

O manejo de infecções oportunistas na AIDS exige esquemas específicos: Cotrimoxazol para Pneumocistose e Claritromicina para Micobacterioses atípicas são pilares.

Contexto Educacional

O manejo das doenças oportunistas continua sendo um desafio crítico no cuidado de pacientes com AIDS avançada (CD4 < 200). A Pneumocistose é a infecção fúngica oportunista mais comum, enquanto a Toxoplasmose cerebral é a principal causa de lesão expansiva no SNC. O conhecimento dos fármacos específicos, como o uso de Nitazoxanida para Criptosporidiose e Anidulafungina para Aspergilose, é essencial para a prática da infectologia. Além do tratamento agudo, a introdução da Terapia Antirretroviral (TARV) deve ser cuidadosamente planejada para evitar a Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (IRIS), respeitando os prazos específicos para cada patologia (ex: esperar 2 semanas na PCP, mas até 4-6 semanas na tuberculose ganglionar). O tratamento eficaz das infecções oportunistas é o primeiro passo para a recuperação imunológica e melhora do prognóstico a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento de escolha para Pneumocistose?

O tratamento de primeira linha para a pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP) é o Sulfametoxazol-Trimetoprima (Cotrimoxazol) em doses elevadas (15-20 mg/kg/dia de trimetoprima). Em casos graves, definidos por uma PaO2 < 70 mmHg ou gradiente alvéolo-arterial de O2 ≥ 35 mmHg, deve-se associar corticosteroides (prednisona) nas primeiras 72 horas para reduzir a resposta inflamatória pulmonar e melhorar a sobrevida. O tratamento dura 21 dias e deve ser seguido por profilaxia secundária até que o CD4 esteja acima de 200 células/mm³ por pelo menos 3 meses em uso de terapia antirretroviral estável.

Como tratar Micobacterioses atípicas (MAC) na AIDS?

O tratamento do complexo Mycobacterium avium (MAC) geralmente envolve a combinação de um macrolídeo (Claritromicina ou Azitromicina) com Etambutol. A Claritromicina é frequentemente preferida devido à sua eficácia clínica comprovada em reduzir a carga bacteriana e melhorar os sintomas. Em alguns casos de alta carga bacteriana, a Rifabutina pode ser adicionada como terceiro fármaco. A profilaxia primária com macrolídeos era indicada para pacientes com CD4 < 50 células/mm³, mas com a TARV moderna, essa recomendação tem sido flexibilizada se o paciente iniciar o tratamento antirretroviral imediatamente.

Quais as opções para Toxoplasmose cerebral?

O esquema padrão é Sulfadiazina associada a Pirimetamina e Ácido Folínico. Em pacientes com hipersensibilidade grave às sulfas, a Clindamicina é a alternativa de escolha para substituir a Sulfadiazina, mantendo-se a Pirimetamina. O tratamento deve ser mantido por pelo menos 6 semanas antes de passar para a fase de manutenção (profilaxia secundária). É crucial monitorar a toxicidade medular da pirimetamina com hemogramas semanais. A resposta clínica e radiológica (redução do edema e efeito de massa) costuma ser rápida, ocorrendo em 7 a 14 dias na maioria dos pacientes responsivos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo