Infecções na Gestação: Diagnóstico e Manejo Essencial

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2021

Enunciado

Com relação às infecções no período gestacional é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A TARV (Terapia Antirretroviral) está indicada para toda gestante infectada pelo HIV, independentemente de critérios clínicos e imunológicos, não devendo ser suspensa após o parto, independentemente do nível de LT-CD4+ no momento do início do tratamento.
  2. B) Casos suspeitos de Toxoplasmose em que a gestante apresente IgM e IgG positivos na 1ª sorologia, trata - se sempre de uma infecção aguda pois o IgM permanece positivo apenas por 1 mês após a infecção.
  3. C) Em relação a Sífilis o tratamento deve ser iniciado em todos os casos de gestantes com apenas um teste reagente, treponêmico ou não treponêmico, sem aguardar o resultado do segundo teste. Iniciar o tratamento com 1ª dose de penicilina benzatina imediatamente (exceto os casos de comprovada alergia medicamentosa);
  4. D) Realizar na gestante a pesquisa para GBS (Estreptococo beta hemolítico grupo B) entre a 35ª e 37ª semana de gestação, através da cultura de secreção vaginal e retal, por SWAB. Nos casos de infecção urinária durante a gestação por Estreptococo não há a necessidade de realizar este exame.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional: IgM e IgG positivos na 1ª sorologia NÃO significa infecção aguda; é preciso testar avidez de IgG ou repetir sorologia.

Resumo-Chave

Em casos de Toxoplasmose gestacional com IgM e IgG positivos na primeira sorologia, não se pode afirmar automaticamente que é uma infecção aguda. É essencial realizar o teste de avidez de IgG ou repetir a sorologia após 3 semanas para determinar se a infecção é recente ou preexistente, pois o IgM pode permanecer positivo por meses.

Contexto Educacional

As infecções durante a gestação representam um desafio significativo na obstetrícia, com potencial para causar morbidade e mortalidade materno-fetal. O diagnóstico e manejo adequados são cruciais para prevenir complicações como malformações congênitas, aborto, parto prematuro e infecções neonatais. As infecções TORCH (Toxoplasmose, Outras - Sífilis, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes) e HIV, além do Estreptococo do Grupo B (GBS), são de particular importância. No caso da Toxoplasmose, a interpretação sorológica é complexa. IgM positivo pode persistir por meses a anos, e IgG positivo indica exposição prévia. A presença de IgM e IgG positivos na primeira sorologia gestacional não confirma infecção aguda. É imperativo realizar o teste de avidez de IgG para datar a infecção: alta avidez sugere infecção antiga, enquanto baixa avidez indica infecção recente, com risco de transmissão congênita. Para HIV, a Terapia Antirretroviral (TARV) é indicada para todas as gestantes infectadas, independentemente da contagem de CD4, e não deve ser suspensa após o parto. Na Sífilis, o tratamento com penicilina benzatina deve ser iniciado prontamente, mesmo com um único teste reagente, devido ao alto risco de sífilis congênita. O rastreamento de GBS entre 35-37 semanas é vital para identificar gestantes que necessitam de profilaxia intraparto, exceto se já houver infecção urinária por GBS na gestação, que já indica a necessidade de profilaxia. O conhecimento aprofundado dessas condutas é essencial para a prática do residente.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar uma infecção aguda de Toxoplasmose de uma infecção preexistente na gestação?

Para diferenciar, além do IgM e IgG, deve-se realizar o teste de avidez de IgG. Uma alta avidez de IgG sugere infecção antiga (mais de 4 meses), enquanto baixa avidez sugere infecção recente (menos de 4 meses). A repetição da sorologia após 3 semanas também pode mostrar a variação dos títulos.

Qual a conduta para gestantes com Sífilis, mesmo com apenas um teste reagente?

Em gestantes, o tratamento para Sífilis deve ser iniciado imediatamente com penicilina benzatina, mesmo com apenas um teste reagente (treponêmico ou não treponêmico), sem aguardar o resultado de um segundo teste, devido ao risco de sífilis congênita.

Quando e como é feito o rastreamento para Estreptococo beta hemolítico grupo B (GBS) na gestação?

O rastreamento para GBS é realizado entre a 35ª e 37ª semana de gestação, através da cultura de secreção vaginal e retal por swab. Em casos de infecção urinária por GBS durante a gestação, o rastreamento não é necessário, pois a gestante já é considerada colonizada e deve receber profilaxia intraparto.

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