SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2021
A febre é um sintoma comum presente em muitas manifestações da doença falciforme na infância, podendo ser sinal de infecção bacteriana. Qual o patógeno mais frequente, responsável por mais de 70% das infecções nestes pacientes?
Doença falciforme + febre em criança → pensar em infecção por Pneumococo devido à asplenia funcional.
Pacientes com doença falciforme, especialmente crianças, possuem um risco significativamente aumentado de infecções bacterianas graves, sendo o Streptococcus pneumoniae (Pneumococo) o patógeno mais comum. Isso se deve à asplenia funcional, uma complicação da doença que compromete a capacidade do baço de filtrar bactérias encapsuladas.
A doença falciforme é uma hemoglobinopatia genética que afeta milhões de pessoas globalmente, com alta prevalência no Brasil. Uma das complicações mais graves e frequentes na infância são as infecções bacterianas, que representam a principal causa de morbimortalidade. A febre em uma criança com doença falciforme deve ser sempre encarada como uma emergência médica, exigindo avaliação e tratamento imediatos. A fisiopatologia da maior suscetibilidade a infecções reside na asplenia funcional, que se desenvolve precocemente na vida devido a infartos esplênicos repetidos causados pela falcização dos eritrócitos. O baço é vital na defesa contra bactérias encapsuladas, como o Streptococcus pneumoniae (Pneumococo), que se torna o patógeno mais frequente, responsável por mais de 70% das infecções invasivas. Outros patógenos importantes incluem Haemophilus influenzae tipo b e Salmonella spp. O manejo da febre em crianças com doença falciforme envolve a coleta de culturas (hemocultura, urocultura) e o início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, geralmente com ceftriaxona, cobrindo o Pneumococo. A profilaxia com penicilina oral e a vacinação completa (incluindo vacinas pneumocócicas) são medidas preventivas essenciais que reduziram drasticamente a mortalidade por sepse pneumocócica nesta população.
Os principais sinais de infecção grave incluem febre alta, calafrios, prostração, irritabilidade, dificuldade respiratória, dor abdominal intensa e sinais de choque. Em lactentes, a irritabilidade e a recusa alimentar podem ser os únicos sinais.
Pacientes com doença falciforme desenvolvem asplenia funcional, onde o baço, embora presente, perde sua capacidade de filtrar bactérias encapsuladas, como o Pneumococo. Isso os torna altamente vulneráveis a infecções invasivas e sepse fulminante por este patógeno.
A profilaxia com penicilina oral e a vacinação (pneumocócica conjugada e polissacarídica) são cruciais para reduzir o risco de infecções graves por Pneumococo. Essas medidas visam compensar a deficiência imunológica causada pela asplenia funcional e são pilares no manejo preventivo da doença falciforme.
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