UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
As crianças com infecções congênitas podem apresentar um conjunto de dados clínicos correlacionado com a sua etiologia. Essa correlação não ocorre no caso de:
PCA é clássica da rubéola congênita, não da citomegalovirose. CMV causa surdez, mas não PCA.
A questão aborda as manifestações clínicas das infecções congênitas. Enquanto a surdez neurossensorial é uma sequela bem conhecida da citomegalovirose congênita, a persistência do canal arterial (PCA) não é uma manifestação típica desta infecção. A PCA é classicamente associada à rubéola congênita, que também causa catarata e microcefalia.
As infecções congênitas representam um grupo de doenças transmitidas da mãe para o feto durante a gestação ou no parto, com potencial para causar malformações, sequelas neurológicas e óbito. O conhecimento das manifestações clínicas específicas de cada agente infeccioso é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado. O complexo TORCH (Toxoplasmose, Outros - sífilis, varicela, parvovírus B19, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes) engloba os principais patógenos com transmissão vertical e impacto fetal. A fisiopatologia varia conforme o agente, mas geralmente envolve a replicação viral ou bacteriana no feto, levando a danos celulares e teciduais. O diagnóstico é baseado na história materna, achados clínicos no recém-nascido e exames laboratoriais específicos (sorologia, PCR). A suspeita clínica é o primeiro passo, e a correlação entre os achados é fundamental para direcionar a investigação. Por exemplo, a rubéola congênita é classicamente associada à tríade de Gregg (catarata, cardiopatia e surdez), enquanto a citomegalovirose congênita é a principal causa infecciosa de surdez neurossensorial não hereditária. O tratamento das infecções congênitas pode ser desafiador e nem sempre curativo, visando minimizar as sequelas. A prevenção, através da vacinação materna (rubéola) e rastreamento pré-natal (sífilis, toxoplasmose, HIV), é a estratégia mais eficaz. Residentes devem dominar as características de cada infecção congênita para identificar rapidamente os casos e iniciar as intervenções necessárias, melhorando o prognóstico dos recém-nascidos afetados. A diferenciação entre as manifestações é um ponto crítico para evitar erros diagnósticos e terapêuticos.
A rubéola congênita é caracterizada pela tríade de Gregg: catarata, cardiopatia (especialmente persistência do canal arterial e estenose da artéria pulmonar) e surdez neurossensorial. Outras manifestações incluem microcefalia, retardo de crescimento e lesões ósseas.
A citomegalovirose congênita pode causar microcefalia, calcificações intracranianas periventriculares, surdez neurossensorial (a mais comum), coriorretinite, hepatoesplenomegalia, icterícia e retardo do desenvolvimento neuropsicomotor.
A sífilis congênita precoce pode apresentar pênfigo palmoplantar, rinite sifilítica (coriza sanguinolenta), hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia, osteocondrite e pseudoparalisia de Parrot. A sífilis congênita tardia inclui tíbia em sabre, dentes de Hutchinson, ceratite intersticial e surdez neurossensorial.
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