UEM - Hospital Universitário de Maringá (PR) — Prova 2020
A epidemia do Zika vírus em 2016 nas Américas, no Caribe e no Pacífico, foi ainda mais alarmante em razão das descrições de microcefalia e malformações no sistema nervoso central nos fetos das gestantes acometidas passando a integrar o grupo das doenças relacionadas com infecção congênita nos recordando na importância do estudo desse tema. Portanto avalie a seqüência de afirmações a seguir classificando-as em verdadeiras (V) ou falsas (F).(A) - A infecção pelo ZIKA VÍRUS pode ser assintomática ou apresentar sintomas gerais como febre baixa, eritema pruriginoso, artralgia, mialgia e mal estar, ou ainda cursar com complicações neurológicas em adultos como síndrome de Guillain-Barré, encefalite, mielite transversa e meningo encefalite. ( );(B) - A sorologia para CITOMEGALOVÍRUS (IgG positivo e IgM negativo) confere imunidade permanente para a infecção, excluindo a possibilidade dessa infecção congênita durante a gestação. ( );(C) - A RUBEOLA é uma infecção congênita passível de prevenção por meio da vacinação durante a gestação dos casos susceptíveis (IgG negativo e IgM negativo), evitando as seqüelas da tríade clássica: cardiopatia, catarata e surdez. ( );(D) - A TOXOPLASMOSE deve ser rastreada durante a gestação. Caso a sorologia do primeiro trimestre da gestação apresente IgG positivo e IgM positivo deve ser realizado o teste da avidez para IgG da toxoplasmose e se apresentar alta avidez indica que a infecção foi prévia a gestação. ( );(E) - A PARVOVIROSE é causada pelo parvovírus B19 que apresenta ação citotóxica na eritropoiese o que pode resultar em anemia e ou hidropsia fetal. ( ).
Infecções congênitas: Zika (microcefalia), CMV (IgG+IgM- não exclui reativação), Rubéola (vacina contraindicada na gestação), Toxoplasmose (avidez IgG para datação), Parvovírus B19 (hidropsia fetal).
As infecções congênitas representam um desafio diagnóstico e terapêutico na gestação. É crucial conhecer as particularidades de cada agente, como o Zika vírus e suas complicações neurológicas, a interpretação sorológica do CMV e Toxoplasmose, a contraindicação da vacina de Rubéola na gestação e o risco de hidropsia fetal na Parvovirose B19.
As infecções congênitas representam um grupo de doenças de grande impacto na saúde materno-infantil, com potencial para causar malformações graves, sequelas neurológicas e óbito fetal. O conhecimento aprofundado sobre agentes como Zika vírus, Citomegalovírus (CMV), Rubéola, Toxoplasmose e Parvovírus B19 é indispensável para residentes de Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria e Infectologia. O Zika vírus ganhou notoriedade pela associação com microcefalia e outras malformações do SNC em fetos, além de poder causar sintomas gerais e complicações neurológicas em adultos. A interpretação sorológica de outras infecções é igualmente complexa: para CMV, um IgG positivo e IgM negativo não exclui totalmente a possibilidade de infecção congênita, pois reativações podem ocorrer e causar danos fetais. A vacinação contra Rubéola é crucial para prevenir a síndrome da rubéola congênita, mas é contraindicada durante a gestação por ser uma vacina de vírus vivo atenuado. Na toxoplasmose, o rastreamento gestacional é rotina. Em casos de IgG e IgM positivos no primeiro trimestre, o teste de avidez de IgG é fundamental para diferenciar infecção recente (baixa avidez) de infecção preexistente (alta avidez), o que direciona a conduta. Por fim, a parvovirose B19 é um agente citotóxico para a eritropoiese fetal, podendo levar a anemia grave e hidropsia fetal, uma complicação de alto risco que exige monitoramento e, por vezes, transfusão intrauterina.
A infecção congênita por Zika vírus é mais conhecida por causar microcefalia e outras malformações graves do sistema nervoso central, como calcificações cerebrais, ventriculomegalia e alterações oculares.
A vacina da Rubéola é uma vacina de vírus vivo atenuado e, embora o risco teórico seja baixo, há uma contraindicação formal na gestação devido ao potencial de transmissão vertical do vírus vacinal, que poderia causar infecção congênita.
O teste de avidez de IgG para toxoplasmose é útil para datar a infecção. Alta avidez de IgG no primeiro trimestre indica uma infecção adquirida há mais de 3-4 meses, ou seja, antes da gestação, reduzindo o risco de infecção congênita. Baixa avidez sugere infecção recente.
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