Febre em Lactentes: Manejo de Infecções Virais de Vias Aéreas Superiores

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Lactente, 8 meses de idade, é levado ao pronto-socorro com quadro de febre alta (39 ºC) há dois dias e coriza. Não aceita alimentação e está irritado. Boa aceitação hídrica e de líquidos. Ao exame, criança bem hidratada, eupneica, apresentando temperatura de 39 ºC. Há hiperemia em orofaringe posterior e tonsilas, sendo observados pontos brancos bilateralmente. Otoscopia mostra, bilateralmente, hiperemia da membrana timpânica. A ausculta pulmonar mostra roncos de transmissão. O exame físico não mostra outros achados anormais.Com base na principal hipótese diagnóstica, a conduta para este caso é o uso de:

Alternativas

  1. A) analgésico/antipirético por via oral.
  2. B) antibiótico por via oral.
  3. C) anti-inflamatório por via oral.
  4. D) antibiótico por via intramuscular.

Pérola Clínica

Lactente com febre, coriza, hiperemia orofaringe/tonsilas com pontos brancos, otoscopia hiperêmica bilateral, bem hidratado → Infecção viral, tratamento sintomático.

Resumo-Chave

O quadro clínico sugere uma infecção viral de vias aéreas superiores, possivelmente com faringoamigdalite e otite média viral, sem sinais de gravidade ou infecção bacteriana que justifique antibiótico. O tratamento é sintomático com analgésicos/antipiréticos.

Contexto Educacional

Infecções de vias aéreas superiores (IVAS) são extremamente comuns em lactentes e crianças pequenas, sendo a grande maioria de etiologia viral. O quadro clínico típico inclui febre, coriza, tosse, hiperemia de orofaringe e, por vezes, otite média aguda (OMA) e/ou faringoamigdalite. A distinção entre infecção viral e bacteriana é um desafio constante na prática pediátrica e fundamental para evitar o uso desnecessário de antibióticos. Neste caso, o lactente apresenta sintomas de IVAS (febre, coriza, irritação, hiperemia de orofaringe com pontos brancos, otoscopia hiperêmica bilateral) mas está bem hidratado e eupneico, sem outros achados anormais que sugiram gravidade ou infecção bacteriana sistêmica. Os "pontos brancos" nas tonsilas podem ser exsudato viral. A hiperemia da membrana timpânica pode ser parte do quadro viral ou uma OMA viral, que muitas vezes não requer antibiótico. A conduta para a maioria das IVAS virais é o tratamento sintomático, que inclui analgésicos e antipiréticos (como paracetamol ou ibuprofeno, respeitando a idade e dose) para alívio da febre e do desconforto. A boa aceitação hídrica é um fator positivo. Residentes devem ser cautelosos na indicação de antibióticos, reservando-os para casos com evidência clara de infecção bacteriana, como OMA bacteriana confirmada, faringoamigdalite estreptocócica ou sinais de infecção bacteriana grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar antibiótico em otite média aguda em lactentes?

A indicação de antibiótico em OMA é para crianças menores de 6 meses, ou crianças maiores com OMA bilateral grave, otorreia, ou falha terapêutica após observação. Neste caso, a otite é bilateral, mas o quadro geral é viral e a criança está bem hidratada, sem sinais de gravidade.

Como diferenciar uma faringoamigdalite viral de uma bacteriana em lactentes?

Faringoamigdalites virais frequentemente vêm acompanhadas de coriza, tosse e conjuntivite, enquanto as bacterianas (estreptocócicas) tendem a ter início súbito, febre alta, dor de garganta intensa, sem sintomas de resfriado. Os pontos brancos podem ser exsudato viral ou bacteriano, mas o contexto geral é mais viral.

Qual a importância de avaliar o estado de hidratação em lactentes febris?

A avaliação do estado de hidratação é crucial, pois a febre aumenta as perdas insensíveis e a recusa alimentar pode levar à desidratação. Uma criança bem hidratada, mesmo com febre alta, indica boa reserva e menor gravidade imediata.

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