Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher de 47 anos relata quadro de febre, mialgia, rinorreia e tosse seca de 4 dias de evolução. Não há histórico relevante, nem tabagismo ou etilismo. Ao exame físico: temperatura: 37,9 °C; pressão arterial: 145 x 85 mmHg; frequência cardíaca: 96/min; frequência respiratória: 18/min; oximetria de pulso normal; nota-se eritema de orofaringe; ausculta pulmonar normal; o restante do exame é normal. Nesse momento, a conduta correta é:
Infecção viral de vias aéreas superiores sem sinais de gravidade → tratamento sintomático apenas.
A paciente apresenta um quadro clínico típico de infecção viral de vias aéreas superiores (resfriado comum ou gripe leve), sem sinais de gravidade ou complicações bacterianas. Nesses casos, a conduta correta é o tratamento sintomático, visando aliviar os sintomas e promover o conforto do paciente, sem necessidade de antivirais ou antibióticos.
Infecções virais das vias aéreas superiores, como o resfriado comum e a gripe leve, são condições extremamente prevalentes, especialmente durante os meses mais frios. Caracterizam-se por um quadro autolimitado de febre, mialgia, rinorreia, tosse e dor de garganta. A maioria dos casos é causada por rinovírus, coronavírus, vírus influenza (gripe) e parainfluenza, entre outros. A paciente descrita apresenta um quadro clássico de infecção viral, sem sinais de alarme que sugiram complicações bacterianas ou gravidade. A fisiopatologia envolve a replicação viral nas células epiteliais do trato respiratório, desencadeando uma resposta inflamatória local e sistêmica. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas. É crucial diferenciar de infecções bacterianas secundárias ou outras condições mais graves, mas na ausência de sinais como dispneia, dor torácica pleurítica, expectoração purulenta ou piora progressiva, a suspeita de infecção viral não complicada é alta. Exames complementares, como radiografia de tórax, não são indicados rotineiramente em casos leves. A conduta para infecções virais não complicadas é o tratamento sintomático. Isso inclui repouso, hidratação, analgésicos e antitérmicos (como paracetamol ou ibuprofeno) para alívio da febre e dor, e medidas para descongestão nasal e alívio da tosse. Antibióticos são ineficazes contra vírus e seu uso indiscriminado contribui para a resistência antimicrobiana. Antivirais, como oseltamivir, são reservados para casos de gripe com fatores de risco para complicações ou doença grave, o que não se aplica à paciente descrita.
O oseltamivir é indicado para pacientes com diagnóstico ou alta suspeita de gripe (influenza) que apresentam fatores de risco para complicações (idosos, imunocomprometidos, gestantes, comorbidades) ou que desenvolvem doença grave. Não é rotineiramente indicado para casos leves em pacientes saudáveis.
Antibióticos atuam contra bactérias, não contra vírus. Prescrever antibióticos para infecções virais é ineficaz, não acelera a recuperação e contribui para o desenvolvimento de resistência bacteriana, um grave problema de saúde pública.
O tratamento sintomático inclui repouso, hidratação adequada, analgésicos e antitérmicos (como paracetamol ou ibuprofeno) para febre e mialgia, descongestionantes nasais e xaropes para tosse, conforme a necessidade e sem automedicação excessiva.
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