FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Lactente de quinze meses foi levada à emergência com quadro de tosse, coriza e febre baixa iniciados há três dias. Evoluiu com irritabilidade, mantendo tosse produtiva, febre e coriza. Exame físico: bom estado geral; ativa; hidratada; FR: 32 irpm; FC 104 bpm; sem tiragem; roncos de transmissão difusos e leves; hiperemia de orofaringe; otoscopia com tímpano hiperemiado, translúcido e com movimentos. A conduta indicada é:
Lactente com IVAS e otoscopia com tímpano hiperemiado, translúcido e móvel → Soro fisiológico nasal.
O quadro clínico de tosse, coriza, febre baixa e otoscopia com tímpano hiperemiado, translúcido e móvel em lactente é compatível com uma infecção viral de vias aéreas superiores (IVAS) ou otite média aguda viral, que não requerem antibióticos. A conduta é sintomática, com foco na desobstrução nasal.
Infecções de Vias Aéreas Superiores (IVAS) são extremamente comuns em lactentes e crianças pequenas, sendo a maioria de etiologia viral. O quadro clínico típico envolve tosse, coriza, febre baixa e irritabilidade. A avaliação cuidadosa do exame físico, incluindo a otoscopia, é crucial para diferenciar quadros virais autolimitados de possíveis infecções bacterianas que demandariam antibioticoterapia. No caso descrito, a otoscopia revela tímpano hiperemiado, mas translúcido e com movimentos, o que é compatível com uma otite média aguda viral ou apenas hiperemia reacional a um processo inflamatório adjacente, não indicando uma infecção bacteriana que justificasse o uso de amoxicilina. Descongestionantes sistêmicos ou tópicos não são recomendados para lactentes devido aos riscos de efeitos adversos e falta de evidência de benefício significativo. A conduta mais adequada para IVAS virais em lactentes é o tratamento sintomático, que inclui a hidratação, controle da febre e, principalmente, a desobstrução nasal com soro fisiológico. Esta medida simples e segura melhora o conforto respiratório, facilita a alimentação e previne complicações como a dificuldade para mamar. A educação dos pais sobre a natureza viral da doença e a importância do tratamento de suporte é fundamental.
Os sinais comuns incluem tosse, coriza, febre baixa, irritabilidade e, ao exame físico, hiperemia de orofaringe e, por vezes, tímpano hiperemiado, mas translúcido e móvel.
Antibióticos são indicados apenas em casos de infecção bacteriana comprovada ou altamente suspeita, como otite média aguda bacteriana com sinais de gravidade, sinusite bacteriana ou pneumonia. Não são para IVAS virais.
O soro fisiológico nasal ajuda a fluidificar as secreções e desobstruir as vias aéreas, facilitando a respiração e alimentação do lactente, sendo uma medida sintomática fundamental e segura.
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