SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Uma paciente de 34 anos de idade, professora de educação infantil, procurou o posto de saúde com tosse seca há cinco dias, coriza, leve dor de garganta e febre baixa nos primeiros dois dias, já resolvida; sem comorbidades, com ausculta pulmonar normal; sem dispneia. Ela se mostrava preocupada porque "precisa melhorar logo para trabalhar". Qual é a conduta mais indicada para o caso?
IVAS viral → Sintomáticos + Orientação + Manejo compartilhado. Antibiótico não acelera cura.
A maioria das infecções respiratórias altas é viral e autolimitada. O manejo deve focar no alívio de sintomas e na educação do paciente para evitar o uso desnecessário de antibióticos.
As infecções de vias aéreas superiores (IVAS) representam uma das causas mais comuns de consulta na Atenção Primária. A distinção entre quadros virais e bacterianos é clínica. O uso excessivo de antibióticos em IVAS virais contribui significativamente para a resistência antimicrobiana global. O manejo adequado envolve a prescrição de analgésicos, antitérmicos e hidratação, além de orientar o paciente sobre os sinais de alerta que justificariam um retorno, fortalecendo a relação médico-paciente através da comunicação clara e baseada em evidências.
A indicação de antibioticoterapia em pacientes com sintomas de vias aéreas superiores deve ser criteriosa para evitar a resistência bacteriana. Os critérios clínicos para suspeitar de uma etiologia bacteriana, como a rinossinusite aguda, incluem a persistência dos sintomas por mais de 10 dias sem melhora, ou um quadro de 'dupla piora', onde o paciente apresenta uma melhora inicial seguida de novo pico febril e aumento da secreção nasal purulenta. Outro sinal de alerta é a presença de febre alta (>39°C) associada a secreção purulenta por pelo menos três dias consecutivos. Na ausência desses sinais, e com uma ausculta pulmonar normal sem taquipneia (o que afasta pneumonia), a etiologia viral é a mais provável, e o uso de antibióticos não altera o curso da doença, não previne complicações e expõe o paciente a riscos desnecessários.
O manejo compartilhado é uma estratégia de comunicação na qual o médico e o paciente colaboram para tomar decisões de saúde, integrando a melhor evidência clínica com as preferências e valores do indivíduo. No contexto de uma IVAS viral, isso envolve explicar detalhadamente a história natural da doença, enfatizando que se trata de um quadro autolimitado onde o corpo combaterá o vírus naturalmente. O médico deve validar a preocupação do paciente (como a necessidade de voltar ao trabalho), mas explicar por que tratamentos como antibióticos são ineficazes e potencialmente prejudiciais. Ao final, estabelece-se um plano de cuidados que inclui o tratamento de sintomas e critérios claros de quando reavaliar. Essa abordagem aumenta a confiança e reduz a prescrição excessiva de medicamentos.
Não há evidência científica que suporte o uso de corticoides orais para o tratamento do resfriado comum ou da tosse aguda em pacientes sem histórico de asma, DPOC ou outras doenças reativas das vias aéreas. Embora o corticoide tenha um potente efeito anti-inflamatório, ele não reduz a duração dos sintomas virais e pode causar efeitos adversos imediatos, como irritação da mucosa gástrica, alterações de humor e hiperglicemia transitória. Em casos de tosse pós-viral persistente, o foco deve ser na hidratação, uso de mel (em maiores de um ano) ou sintomáticos específicos, reservando os corticoides apenas para situações de broncoespasmo documentado. A prescrição inadvertida de corticoides para 'acelerar a melhora' é uma prática iatrogênica que deve ser evitada.
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