ITU de Repetição na Gestação: Diagnóstico e Manejo

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Uma das principais intercorrências clínicas em gestantes acompanhadas pelo médico de família e comunidade é a infecção urinária. Sobre o manejo de ITU em gestantes no âmbito da APS podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Dois ou mais episódios de ITU durante a gravidez caracterizam quadro de ITU repetição.
  2. B) A primeira escolha de tratamento de ITU gestacional é o sulfametoxazol/trimetoprim.
  3. C) Bacteriúria assintomática diagnosticada após a 36ª. Semana de gravidez deve ser tratada com nitrofurantoína.
  4. D) Cultura de urina com contagem de colônias acima de 10.000 (dez mil) UFC/ml é suficiente para diagnosticar bacteriúria assintomática em gestantes sem queixas urinárias.

Pérola Clínica

ITU repetição em gestantes = ≥2 episódios durante a gravidez.

Resumo-Chave

A definição de ITU de repetição em gestantes é crucial para o manejo adequado e prevenção de complicações materno-fetais, como pielonefrite e parto prematuro. O tratamento e a profilaxia devem ser individualizados, considerando a segurança fetal.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) é a intercorrência clínica mais comum na gestação, afetando cerca de 10% das grávidas. A ITU pode se manifestar como bacteriúria assintomática, cistite ou pielonefrite. A bacteriúria assintomática, presente em 2-10% das gestantes, é crucial por aumentar o risco de pielonefrite em 20-40% dos casos se não tratada, além de estar associada a parto prematuro e baixo peso ao nascer. O rastreamento com urocultura é recomendado na primeira consulta pré-natal e, em alguns protocolos, repetido no terceiro trimestre. O diagnóstico de bacteriúria assintomática em gestantes é feito pela urocultura com contagem de colônias ≥ 100.000 UFC/mL de um único patógeno ou ≥ 10.000 UFC/mL em amostras de jato médio de urina de dois patógenos diferentes. Já a ITU sintomática (cistite) apresenta disúria, polaciúria, urgência e dor suprapúbica. A pielonefrite é mais grave, com febre, calafrios, dor lombar e náuseas/vômitos. É vital diferenciar esses quadros para o manejo adequado. O tratamento da ITU em gestantes deve ser guiado pela urocultura e antibiograma, priorizando a segurança fetal. As opções de primeira linha incluem amoxicilina, cefalexina e nitrofurantoína (evitar no primeiro trimestre devido a risco teórico de malformações e no termo devido a risco de anemia hemolítica neonatal). A fosfomicina é uma alternativa de dose única. O sulfametoxazol/trimetoprim é contraindicado no primeiro trimestre (teratogênese) e no terceiro trimestre (kernicterus). A profilaxia pode ser considerada em casos de ITU de repetição.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para ITU de repetição em gestantes?

ITU de repetição em gestantes é definida pela ocorrência de dois ou mais episódios de infecção urinária sintomática durante a mesma gravidez.

Qual a importância do tratamento da bacteriúria assintomática na gestação?

O tratamento da bacteriúria assintomática é fundamental para prevenir a progressão para ITU sintomática, pielonefrite aguda, parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Quais antibióticos são seguros para tratar ITU em gestantes?

Antibióticos seguros incluem amoxicilina, cefalexina, nitrofurantoína (evitar no 1º trimestre e termo) e fosfomicina. Sulfametoxazol/trimetoprim é contraindicado no 1º e 3º trimestres.

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