UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Paciente, sexo feminino, 5 anos de idade, tem histórico de infecções de urina de repetição, já investigadas anteriormente, sem alterações. Refere dor abdominal, baixa ingesta hídrica e dieta predominante láctea (leite de vaca industrializado). Hábito intestinal diário. Já apresentou quadros de "assaduras", com prurido e dor locais. Refere tratamento antiparasitário semestralmente. Qual é a conduta?
Infecção urinária de repetição + constipação infantil → Dieta laxante e ↑ ingesta hídrica.
A constipação intestinal é uma causa comum de infecções urinárias de repetição em crianças, mesmo com evacuações diárias, devido à compressão da bexiga e dificuldade de esvaziamento. A conduta inicial foca em medidas dietéticas e hídricas para regularizar o trânsito intestinal.
A infecção urinária (ITU) de repetição em crianças é um desafio comum na pediatria, e sua investigação deve ir além do trato urinário. Um fator etiológico frequentemente negligenciado é a constipação intestinal, mesmo em crianças com hábito intestinal diário. A presença de dor abdominal, baixa ingesta hídrica e dieta rica em laticínios são fortes indícios de constipação funcional. A constipação pode levar à disfunção do trato urinário inferior, onde o reto cheio comprime a bexiga, dificultando seu esvaziamento completo e favorecendo a estase urinária e a proliferação bacteriana. Os quadros de "assaduras" com prurido e dor locais podem indicar irritação perianal por fezes ressecadas ou até encoprese. Portanto, a abordagem deve ser holística, considerando a interconexão entre os sistemas. A conduta inicial e mais eficaz para este cenário envolve medidas não farmacológicas: indicar uma dieta laxante, rica em fibras (frutas, vegetais, grãos integrais), e um aumento significativo da ingesta hídrica. Essas medidas visam amolecer as fezes, regularizar o trânsito intestinal e, consequentemente, melhorar a função vesical, reduzindo o risco de novas ITUs. A retirada de leite de vaca só seria considerada em casos de suspeita de alergia ou intolerância, o que não é o foco principal aqui.
A constipação pode levar à compressão da bexiga pelo reto cheio, dificultando o esvaziamento vesical completo e favorecendo a estase urinária e o crescimento bacteriano.
Sinais incluem dor abdominal, esforço para evacuar, fezes duras e grandes, escape fecal (encoprese), e até "assaduras" ou fissuras anais devido ao trauma.
Uma dieta rica em fibras e aumento da ingesta hídrica amolecem as fezes, facilitando o trânsito intestinal e prevenindo a formação de fecalomas, que podem agravar a disfunção miccional.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo