CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020
Paciente jovem, internada com quadro de pielonefrite e histórico de infecção urinária de repetição. Após alta, encaminhar:
ITU de repetição em jovem → investigar fatores de risco, incluindo causas ginecológicas como vaginite.
Infecções do trato urinário (ITU) de repetição em mulheres jovens frequentemente estão associadas a fatores anatômicos, comportamentais ou ginecológicos. A vaginite, ao alterar a flora vaginal e o pH, pode favorecer a colonização periuretral por uropatógenos, aumentando o risco de ITU.
Infecções do trato urinário (ITU) de repetição são definidas como três ou mais episódios de ITU em 12 meses, ou dois ou mais em 6 meses. Em mulheres jovens, a recorrência é um problema comum e impacta significativamente a qualidade de vida. Embora a pielonefrite seja uma forma mais grave de ITU, a investigação da causa subjacente é crucial para prevenir novos episódios. Diversos fatores de risco estão associados à ITU de repetição em mulheres, incluindo atividade sexual, uso de espermicidas, história familiar de ITU, e alterações na flora vaginal. A vaginite, seja bacteriana, fúngica ou atrófica (em mulheres na pós-menopausa), pode alterar o ambiente vaginal, favorecendo a colonização periuretral por uropatógenos e, consequentemente, o risco de infecção ascendente. Portanto, após o tratamento agudo de uma pielonefrite e diante de um histórico de ITU de repetição em uma paciente jovem, o encaminhamento para o ambulatório de ginecologia é uma conduta apropriada para investigar e tratar possíveis fatores ginecológicos, como a vaginite. Outras investigações urológicas ou metabólicas podem ser consideradas, mas a avaliação ginecológica é um passo frequentemente negligenciado e importante neste contexto.
As causas são multifatoriais e incluem fatores comportamentais (relação sexual, uso de espermicidas), anatômicos (uretra curta), genéticos, e ginecológicos, como vaginite ou deficiência de estrogênio (em outras faixas etárias).
A vaginite, especialmente a bacteriana ou por Candida, altera a flora normal da vagina e o pH, facilitando a proliferação de bactérias patogênicas que podem ascender pela uretra e causar infecção urinária.
Além da avaliação ginecológica, pode-se considerar exames de imagem do trato urinário (ultrassonografia renal e de vias urinárias), urocultura com antibiograma, e em casos selecionados, cistoscopia ou investigação de diabetes.
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