UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020
Menino de 3 meses apresenta febre 39,5ºC e baixa aceitação do seio materno há 4 dias. EF: REG, hidratado, febril 38,5 ºC. Urina I (sondagem vesical): pH 6,0, densidade 1010, nitrito negativo, proteína +1, leucoesterase +3, leucócitos de 150/campo, hemácias de 20/campo. A conduta é
Lactente < 3 meses com febre + ITU confirmada → internação + ATB IV devido alto risco de sepse e pielonefrite.
Lactentes jovens (especialmente < 3 meses) com febre e infecção do trato urinário (ITU) confirmada ou altamente suspeita (como neste caso com piúria significativa e leucoesterase positiva) têm alto risco de bacteremia e pielonefrite. A conduta padrão é a internação hospitalar e o início de antibioticoterapia intravenosa empírica.
A infecção do trato urinário (ITU) em lactentes, especialmente aqueles com menos de 3 meses de idade e febre, é uma condição de alta preocupação na pediatria. A dificuldade em identificar a fonte da febre nessa faixa etária e o risco elevado de bacteremia, sepse e pielonefrite com dano renal permanente tornam a ITU febril uma emergência médica. A epidemiologia mostra que a ITU é uma das causas mais comuns de febre sem foco em lactentes. A fisiopatologia da ITU em lactentes frequentemente envolve a ascensão de bactérias da região perineal para o trato urinário. O diagnóstico é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas (febre, irritabilidade, baixa aceitação alimentar). A coleta de urina por sondagem vesical ou punção suprapúbica é essencial para obter uma amostra confiável para urinálise e urocultura, evitando a contaminação de amostras de saco coletor. A presença de piúria (leucócitos > 10/campo), leucoesterase positiva e nitrito positivo (embora menos sensível em lactentes) na urinálise, juntamente com uma urocultura positiva, confirma o diagnóstico. A conduta para lactentes jovens (< 3 meses) com ITU febril ou suspeita é a internação hospitalar e o início imediato de antibioticoterapia intravenosa empírica, mesmo antes do resultado da urocultura. Isso se deve ao alto risco de pielonefrite e sepse. Antibióticos como cefalosporinas de terceira geração (ceftriaxona, cefotaxima) são comumente utilizados. Após a melhora clínica e a sensibilidade da urocultura, pode-se considerar a transição para antibiótico oral para completar o tratamento. A investigação de anomalias do trato urinário, como refluxo vesicoureteral, é frequentemente indicada após o primeiro episódio de ITU febril.
Em lactentes, a ITU, especialmente a febril, tem alto risco de progressão para pielonefrite, bacteremia e sepse, além de poder causar cicatrizes renais e hipertensão a longo prazo. O sistema imunológico imaturo e a dificuldade em localizar a infecção contribuem para a gravidade.
O diagnóstico de ITU por sondagem vesical requer a presença de piúria (leucócitos > 10/campo ou leucoesterase positiva) e uma cultura de urina com crescimento significativo de um único patógeno (> 50.000 UFC/mL).
Os antibióticos empíricos de escolha geralmente incluem cefalosporinas de terceira geração (ex: ceftriaxona ou cefotaxima) ou aminoglicosídeos (ex: gentamicina), que oferecem boa cobertura para os patógenos mais comuns como *E. coli*.
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