FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Em relação à infecção urinária na gestação, está correto afirmar que
Bacteriúria assintomática em gestantes DEVE ser tratada, pois pode evoluir para pielonefrite e complicações obstétricas.
A bacteriúria assintomática é comum na gestação e, se não tratada, aumenta significativamente o risco de pielonefrite aguda, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Por isso, o rastreamento e tratamento são mandatórios em todas as gestantes, diferentemente da população não gestante.
A infecção do trato urinário (ITU) é a complicação médica mais comum na gestação, afetando cerca de 10% das grávidas. As alterações fisiológicas da gravidez, como a dilatação do trato urinário e a estase urinária, aumentam a suscetibilidade à infecção. A ITU na gestação pode se apresentar como bacteriúria assintomática, cistite ou pielonefrite aguda, sendo a bacteriúria assintomática a forma mais prevalente. A bacteriúria assintomática, definida pela presença de bactérias na urina sem sintomas, é especialmente importante na gestação. Diferentemente da população não gestante, onde geralmente não requer tratamento, em grávidas ela deve ser sempre tratada. Isso se deve ao alto risco (20-40%) de evolução para pielonefrite aguda, uma condição grave que pode levar a complicações maternas (sepse, anemia) e fetais (parto prematuro, baixo peso ao nascer). O rastreamento da bacteriúria assintomática é realizado rotineiramente no pré-natal, geralmente no primeiro trimestre, por meio de urocultura. O tratamento é feito com antibióticos seguros na gestação, como amoxicilina, cefalexina ou nitrofurantoína, por um período de 3 a 7 dias. A pielonefrite na gestação é uma emergência obstétrica que requer internação e antibioticoterapia parenteral, sendo mais comum no segundo e terceiro trimestres, e não tem predileção por um lado específico.
Na gestação, as alterações fisiológicas aumentam o risco de ascensão bacteriana e desenvolvimento de pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer, justificando o tratamento universal da bacteriúria assintomática.
O principal agente é a Escherichia coli, responsável por cerca de 80-90% dos casos. Outros incluem Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis e Streptococcus agalactiae (GBS).
As complicações incluem pielonefrite aguda (a mais comum), anemia materna, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro, baixo peso ao nascer e, em casos graves, sepse materna.
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