ITU na Gestação: Rastreamento e Manejo da Bacteriúria Assintomática

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023

Enunciado

Em relação à infecção urinária na gestação, está correto afirmar que

Alternativas

  1. A) bacteriúria assintomática em gestantes não precisa ser tratada.
  2. B) bacteriúria assintomática em gestantes pode evoluir para pielonefrite.
  3. C) a presença de mais de 100 000 UFC de Streptococcus agalactiae em urocultura durante a gestação não requer tratamento.
  4. D) na gestação, Urina 1 com mais de 100 000 leucócitos indica tratamento, independentemente da urocultura.
  5. E) a pielonefrite na gestação é mais comum à esquerda.

Pérola Clínica

Bacteriúria assintomática em gestantes DEVE ser tratada, pois pode evoluir para pielonefrite e complicações obstétricas.

Resumo-Chave

A bacteriúria assintomática é comum na gestação e, se não tratada, aumenta significativamente o risco de pielonefrite aguda, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Por isso, o rastreamento e tratamento são mandatórios em todas as gestantes, diferentemente da população não gestante.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) é a complicação médica mais comum na gestação, afetando cerca de 10% das grávidas. As alterações fisiológicas da gravidez, como a dilatação do trato urinário e a estase urinária, aumentam a suscetibilidade à infecção. A ITU na gestação pode se apresentar como bacteriúria assintomática, cistite ou pielonefrite aguda, sendo a bacteriúria assintomática a forma mais prevalente. A bacteriúria assintomática, definida pela presença de bactérias na urina sem sintomas, é especialmente importante na gestação. Diferentemente da população não gestante, onde geralmente não requer tratamento, em grávidas ela deve ser sempre tratada. Isso se deve ao alto risco (20-40%) de evolução para pielonefrite aguda, uma condição grave que pode levar a complicações maternas (sepse, anemia) e fetais (parto prematuro, baixo peso ao nascer). O rastreamento da bacteriúria assintomática é realizado rotineiramente no pré-natal, geralmente no primeiro trimestre, por meio de urocultura. O tratamento é feito com antibióticos seguros na gestação, como amoxicilina, cefalexina ou nitrofurantoína, por um período de 3 a 7 dias. A pielonefrite na gestação é uma emergência obstétrica que requer internação e antibioticoterapia parenteral, sendo mais comum no segundo e terceiro trimestres, e não tem predileção por um lado específico.

Perguntas Frequentes

Por que a bacteriúria assintomática é tratada na gestação, mas não em outras populações?

Na gestação, as alterações fisiológicas aumentam o risco de ascensão bacteriana e desenvolvimento de pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer, justificando o tratamento universal da bacteriúria assintomática.

Quais são os principais agentes etiológicos da ITU na gestação?

O principal agente é a Escherichia coli, responsável por cerca de 80-90% dos casos. Outros incluem Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis e Streptococcus agalactiae (GBS).

Quais as complicações da ITU não tratada na gestação?

As complicações incluem pielonefrite aguda (a mais comum), anemia materna, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro, baixo peso ao nascer e, em casos graves, sepse materna.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo