ITU Febril em Lactentes: Seguimento e Imagem Renal

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023

Enunciado

Lactente, 12 meses, sexo feminino, recebe alta hospitalar após diagnóstico e tratamento de uma infecção urinária febril, confirmada por urocultura. Mãe refere que esse é seu segundo episódio de infecção de urina, mas, no anterior, não foi colhida a urocultura. Sobre o seguimento desta criança, qual afirmativa é correta?

Alternativas

  1. A) Indica-se avaliação radioisotópica renal com DMSA-Tc, 6 meses após o episódio infeccioso.
  2. B) Indica-se a avaliação radioisotópica renal com DTPA -Tc, 6 meses após o episódio infeccioso.
  3. C) Indica-se uma uretrocistografia miccional, durante a vigência de um posterior episódio agudo de infecção.
  4. D) Deve-se realizar imediatamente uma urografia excretora minutada para avaliação da filtração renal.
  5. E) A ultrassonografia renal e de vias urinárias não trará informações que auxiliem a avaliação dessa paciente.

Pérola Clínica

ITU febril recorrente em lactente → DMSA-Tc 6 meses após para cicatriz renal e RUV.

Resumo-Chave

Em lactentes com ITU febril recorrente, a avaliação de imagem é crucial. A cintilografia renal com DMSA-Tc é o exame padrão-ouro para detectar cicatrizes renais e avaliar a função renal parenquimatosa, sendo indicada 4-6 meses após o episódio agudo para evitar resultados falso-positivos devido à inflamação.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) febril em lactentes é uma condição comum e de grande importância clínica devido ao risco de lesão renal permanente. A incidência é maior em meninas após o primeiro ano de vida, mas em lactentes, a prevalência é similar entre os sexos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir complicações a longo prazo, como cicatrizes renais, hipertensão arterial e doença renal crônica. O seguimento de crianças com ITU febril, especialmente em casos de recorrência, envolve a investigação de anomalias do trato urinário. A ultrassonografia renal e de vias urinárias é o exame inicial para detectar malformações anatômicas. A cintilografia renal com DMSA-Tc é considerada o padrão-ouro para identificar cicatrizes renais e avaliar o parênquima renal, sendo recomendada 4 a 6 meses após o episódio agudo para evitar resultados falso-positivos. A uretrocistografia miccional (UCM) é indicada para investigar refluxo vesicoureteral (RVU), um fator de risco importante para ITU recorrente e lesão renal, geralmente após o controle da infecção ou em casos de ITU febril recorrente. A abordagem terapêutica inclui o tratamento da infecção aguda com antibióticos e, em casos de RVU ou outras anomalias, pode envolver profilaxia antibiótica ou intervenção cirúrgica. O acompanhamento a longo prazo é essencial para monitorar a função renal e a pressão arterial, visando a detecção precoce e o manejo de possíveis complicações decorrentes das cicatrizes renais.

Perguntas Frequentes

Quais exames de imagem são indicados após um episódio de ITU febril em lactentes?

A ultrassonografia renal e de vias urinárias é o exame inicial. Em casos de ITU febril recorrente ou alterações na USG, a cintilografia renal com DMSA-Tc é indicada para avaliar cicatrizes renais e a uretrocistografia miccional (UCM) para investigar refluxo vesicoureteral.

Quando a cintilografia renal com DMSA-Tc deve ser realizada após uma ITU febril?

A cintilografia renal com DMSA-Tc deve ser realizada cerca de 4 a 6 meses após o episódio agudo de ITU febril. Isso permite que a inflamação aguda se resolva, evitando a detecção de alterações transitórias e garantindo a identificação de cicatrizes renais permanentes.

Qual a importância de investigar o refluxo vesicoureteral (RVU) em crianças com ITU?

O refluxo vesicoureteral é um fator de risco significativo para ITU febril e desenvolvimento de cicatrizes renais, que podem levar a hipertensão arterial e doença renal crônica. Sua identificação é crucial para o manejo e prevenção de danos renais.

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