MedEvo Simulado — Prova 2026
Ricardo, um homem de 42 anos, previamente hígido, procura atendimento médico com queixa de disúria intensa, polaciúria e urgência miccional iniciadas há dois dias. Relata que, nas últimas 12 horas, passou a apresentar dor em região suprapúbica e um episódio de febre aferida em 38,4 °C, acompanhada de calafrios. Ao exame físico, o paciente encontra-se em bom estado geral, orientado, com pressão arterial de 125/85 mmHg e frequência cardíaca de 82 bpm. O abdome é indolor à palpação, exceto por um leve desconforto em hipogástrio; o sinal de Giordano é negativo bilateralmente. Considerando que a infecção do trato urinário no homem é classificada como uma infecção urinária complicada, qual é a conduta inicial mais adequada para este caso?
ITU no homem = ITU complicada → Sempre solicitar urocultura + iniciar antibioticoterapia empírica.
Devido à anatomia masculina e associação frequente com alterações estruturais ou prostatite, a ITU em homens exige investigação com cultura e tratamento prolongado.
A infecção do trato urinário no homem é um desafio clínico que exige a exclusão de diagnósticos diferenciais como uretrites e prostatites. A presença de febre e dor suprapúbica em um paciente masculino eleva a suspeita de envolvimento prostático. A urocultura é mandatória antes do início do tratamento para guiar o ajuste da terapia, dado o aumento global da resistência bacteriana, especialmente de E. coli a quinolonas. O exame físico, incluindo o toque retal (com cautela na fase aguda), pode ser necessário para avaliar a próstata.
Diferente das mulheres, os homens possuem uma uretra longa e um ambiente periuretral menos propenso à colonização por patógenos entéricos. Portanto, a ocorrência de uma infecção urinária geralmente sinaliza uma anormalidade funcional ou estrutural (como hiperplasia prostática benigna) ou o envolvimento de órgãos adjacentes, como a próstata (prostatite). Por essa razão, o manejo exige maior rigor diagnóstico e terapêutico.
Diferente da cistite não complicada feminina (3-5 dias), a ITU masculina requer esquemas mais longos. Se houver suspeita de cistite sem sinais de prostatite, 7 a 14 dias são recomendados. Caso haja evidência de prostatite aguda (dor perineal, febre, próstata edemaciada), o tratamento deve ser estendido por 2 a 4 semanas para garantir a penetração tecidual do antibiótico e prevenir a cronificação.
As fluoroquinolonas (como ciprofloxacino ou levofloxacino) são frequentemente preferidas devido à sua excelente penetração no tecido prostático. O sulfametoxazol-trimetoprima é uma alternativa eficaz se a resistência local for baixa. Medicamentos como nitrofurantoína e fosfomicina devem ser evitados se houver suspeita de pielonefrite ou prostatite, pois não atingem níveis teciduais terapêuticos fora da bexiga.
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