ITU Associada a Cateter: Fatores de Risco e Manejo Essencial

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 75 anos, previamente diabético internado na Unidade de Terapia Intensiva devido à diarreia infecciosa em uso de antiobioticoterapia intercorrendo com disfunção renal AKI (Acute kidney injury) 2. Realizado cateterismo vesical de demora para monitorização do débito urinário há 5 dias. No momento encontra-se em resolução do quadro com proposta de alta. Intercorre com pico febril isolado sendo coletado culturas. Evidenciado crescimento de candida albicans em urocultura. No momento, estável clinicamente sem disfunções orgânicas. Sobre o quadro acima é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) na vigência de infecção urinária o cateter vesical de demora deve ser mantido até o término do antibiótico.
  2. B) este paciente deve receber micafungina para o tratamento de cadidíuria devido ao perfil de resistência deste patógeno.
  3. C) o tempo de duração de cateterização vesical é o maior fator de risco para infecções urinárias relacionadas à sondagem.
  4. D) a infecção de urina relacionada à sondagem vesical pode ocorrer até 72 horas após a retirada do dispositivo invasivo.

Pérola Clínica

ITU associada a cateter → tempo de cateterização é o maior fator de risco; remover o cateter é a principal medida.

Resumo-Chave

O tempo de permanência do cateter vesical de demora é o fator de risco mais significativo para o desenvolvimento de infecções do trato urinário associadas à sondagem (ITU-AS). A remoção precoce do cateter é a intervenção mais eficaz para prevenir e tratar essas infecções.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário associada a cateter (ITU-AS) é uma das infecções hospitalares mais comuns, com morbidade e mortalidade significativas, especialmente em pacientes críticos e idosos. O cateterismo vesical de demora, embora essencial para monitorização e manejo em diversas situações clínicas, é um fator de risco primário para a introdução e proliferação de microrganismos no trato urinário. A fisiopatologia da ITU-AS envolve a formação de biofilme na superfície do cateter, que serve como nicho para bactérias e fungos, protegendo-os da resposta imune do hospedeiro e dos antibióticos. O tempo de permanência do cateter é diretamente proporcional ao risco de infecção. No caso apresentado, a paciente tem múltiplos fatores de risco: idade avançada, diabetes, internação em UTI, uso de antibióticos e cateter vesical por 5 dias. A candidúria, ou presença de Candida na urina, é comum em pacientes cateterizados, diabéticos e em uso de antibióticos de amplo espectro. Na maioria dos casos, se o paciente estiver assintomático e o cateter puder ser removido, a candidúria se resolve espontaneamente sem necessidade de antifúngicos. A remoção do cateter é a intervenção mais eficaz. A alternativa C destaca corretamente o tempo de cateterização como o maior fator de risco.

Perguntas Frequentes

Qual o principal fator de risco para infecção do trato urinário associada a cateter (ITU-AS)?

O principal fator de risco é o tempo de permanência do cateter vesical de demora. Quanto maior o tempo de cateterização, maior a chance de colonização bacteriana e desenvolvimento de infecção.

Quando a candidúria em paciente cateterizado deve ser tratada com antifúngicos?

A candidúria em paciente cateterizado geralmente não requer tratamento antifúngico se o paciente estiver assintomático e o cateter puder ser removido. O tratamento é indicado em casos sintomáticos, neutropenia, transplante renal, manipulação urológica ou se a candidúria persistir após a remoção do cateter.

Qual a medida mais importante para prevenir ITU-AS?

A medida mais importante para prevenir ITU-AS é a remoção precoce do cateter vesical de demora, assim que não houver mais indicação clínica para seu uso. Além disso, a técnica asséptica na inserção e manutenção adequada são cruciais.

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