ITU Recorrente em Mulheres: Prevenção e Manejo

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 35a, apresenta dor para urinar, aumento da frequência, diminuição da quantidade e urgência miccional há dois dias. Nega febre, calafrios, dor lombar e gravidez. Antecedente pessoal: dois episódios semelhantes nos últimos seis meses. Exame sumário de urina: hemácias= 20/campo, leucócitos= > 100/campo, proteína= ausente, nitrito= +++/4+, leucócito esterase= +++/4+; Urocultura: E coli > 10⁵ UFC, sensível a todos os antibióticos testados.APÓS O TRATAMENTO DESTE EPISÓDIO, A CONDUTA PARA PREVENIR NOVAS INFECÇÕES DO TRATO URINÁRIO É:

Alternativas

  1. A) Prescrever profilaxia com nitrofurantoína por seis meses.
  2. B) Prescrever profilaxia pós coito com ciprofloxacino.
  3. C) Investigar nefrolitíase.
  4. D) Investigar malformação de trato urinário.

Pérola Clínica

ITU recorrente em mulher jovem: após tratamento agudo, considerar profilaxia antibiótica contínua (ex: nitrofurantoína).

Resumo-Chave

Mulheres com infecção do trato urinário (ITU) recorrente (≥2 episódios em 6 meses ou ≥3 em 1 ano) se beneficiam de estratégias preventivas após o tratamento do episódio agudo. A profilaxia antibiótica contínua com baixas doses de nitrofurantoína, sulfametoxazol-trimetoprim ou cefalexina por 6 a 12 meses é uma abordagem eficaz e amplamente utilizada.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns, especialmente em mulheres. A cistite aguda não complicada é caracterizada por disúria, polaciúria e urgência miccional, sem sinais de comprometimento sistêmico ou dor lombar. No entanto, uma parcela significativa das mulheres experimenta ITUs recorrentes, definidas como dois ou mais episódios em seis meses ou três ou mais em um ano, o que impacta negativamente a qualidade de vida e aumenta os custos de saúde. A fisiopatologia da ITU recorrente em mulheres geralmente envolve a colonização da uretra e da vagina por bactérias entéricas (mais comumente E. coli), seguida pela ascensão dessas bactérias à bexiga. Fatores de risco incluem atividade sexual, uso de espermicidas, deficiência estrogênica na pós-menopausa e predisposição genética. O diagnóstico é clínico, confirmado por urocultura. Após o tratamento do episódio agudo, a prevenção é crucial para evitar novas recorrências. As estratégias de prevenção incluem medidas comportamentais (aumento da ingestão hídrica, micção pós-coito), uso de cranberry, estrogênio vaginal em mulheres pós-menopausa e, mais comumente, profilaxia antibiótica. A profilaxia antibiótica contínua com baixas doses de agentes como nitrofurantoína (50 ou 100 mg/dia), sulfametoxazol-trimetoprim (40/200 mg/dia) ou cefalexina (125 ou 250 mg/dia) por 6 a 12 meses é uma abordagem eficaz e bem estabelecida. A profilaxia pós-coito é uma alternativa para mulheres cujas ITUs estão claramente relacionadas à atividade sexual. A investigação de malformações ou nefrolitíase é geralmente reservada para casos de ITU complicada ou pielonefrite recorrente.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza uma infecção do trato urinário recorrente?

É definida pela ocorrência de dois ou mais episódios de ITU em um período de seis meses, ou três ou mais episódios em um ano. Essa recorrência indica a necessidade de estratégias preventivas.

Quais são as opções de profilaxia antibiótica para ITU recorrente?

As opções incluem profilaxia contínua com baixas doses de antibióticos, como nitrofurantoína ou sulfametoxazol-trimetoprim, por 6 a 12 meses. A profilaxia pós-coito é uma alternativa se a relação sexual for um gatilho claro.

Quando investigar malformações ou cálculos renais em ITU recorrente?

A investigação com exames de imagem (ultrassonografia, tomografia) é geralmente reservada para casos de ITU complicada, pielonefrite recorrente, falha terapêutica, ou em pacientes com fatores de risco específicos, não sendo a primeira conduta para cistite recorrente não complicada.

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