ITU em Recém-Nascido: Diagnóstico e Conduta Imediata

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um recém-nascido (RN) com 25 dias de vida, masculino, é levado por sua mãe para consulta na unidade de saúde com história de febre de 39 °C, recusa alimentar e vômitos. A mãe relata que seu filho está em aleitamento materno exclusivo e que é a primeira vez que ele fica doente. Ao exame físico, nota-se RN irritado, com temperatura axilar de 38,3 °C, sem nenhuma outra alteração. Ao hemograma, observa-se leucocitose com neutrofilia e plaquetas normais. À rotina de urina, nota-se piúria, estearase positiva, nitrito positivo e flora aumentada. Em Gram de gota de urina não centrifugada, é constatada presença de bastonete Gram negativo (> 1 bactéria/campo de imersão).Considerando o provável diagnóstico, a conduta imediata do médico deve ser

Alternativas

  1. A) repetir todos os exames e, caso seja confirmado o diagnóstico, internar a criança e iniciar tratamento parenteral.
  2. B) introduzir antibiótico parenteral imediatamente, confirmar o diagnóstico pela urocultura e pedir cintigrafia com DMSA e ultrassonografia em 30 dias.
  3. C) internar o RN, iniciar antibiótico imediatamente, sem necessidade de confirmação pela urocultura e realizar ultrassonografia após o término do tratamento.
  4. D) iniciar antibiótico oral ambulatorialmente e já pedir ultrassonografia renal e de vias urinárias, além de programar cintigrafia com DMSA assim que a criança tiver alta.

Pérola Clínica

RN < 30 dias com febre e ITU confirmada por EAS/Gram → Internar, ATB parenteral imediato, USG renal pós-tratamento.

Resumo-Chave

Recém-nascidos e lactentes jovens com febre e suspeita/confirmação de ITU devem ser considerados de alto risco para pielonefrite e sepse. A conduta é internação e início imediato de antibiótico parenteral, mesmo antes da urocultura definitiva, devido à gravidade potencial e à dificuldade de localizar o foco infeccioso. A ultrassonografia renal é essencial para investigar anomalias anatômicas.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) em recém-nascidos e lactentes jovens (especialmente < 3 meses) é uma condição séria que exige atenção imediata. Nesses grupos etários, a ITU é frequentemente febril e pode ser a manifestação inicial de uma pielonefrite, com alto risco de bacteremia e sepse, devido à imaturidade do sistema imunológico e à menor capacidade de localizar a infecção. Os sintomas são inespecíficos, como febre, irritabilidade, recusa alimentar e vômitos, tornando o diagnóstico desafiador. O diagnóstico de ITU em recém-nascidos é confirmado pela urocultura, mas a suspeita é levantada por exames de urina como EAS (piúria, estearase leucocitária, nitrito) e Gram de urina não centrifugada (presença de bactérias). Diante de um recém-nascido febril com evidências de ITU, a conduta é a internação hospitalar e o início imediato de antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, cobrindo Gram-negativos (como E. coli, o agente mais comum), mesmo antes do resultado definitivo da urocultura. Após o tratamento da fase aguda e a melhora clínica, é fundamental investigar a presença de anomalias congênitas do trato urinário (ACTU) que predispõem a ITUs recorrentes e lesão renal. A ultrassonografia renal e de vias urinárias deve ser realizada para rastrear essas anomalias. A cintilografia renal com DMSA pode ser considerada posteriormente para avaliar cicatrizes renais, especialmente em casos de ITUs recorrentes ou graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de ITU em recém-nascidos e lactentes jovens?

Em recém-nascidos, os sinais de ITU são inespecíficos e podem incluir febre, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos, icterícia prolongada, letargia ou ganho de peso inadequado. A ausência de outros focos infecciosos deve levantar a suspeita.

Por que o tratamento parenteral é mandatório para ITU em recém-nascidos?

O tratamento parenteral é mandatório devido ao alto risco de bacteremia, sepse e pielonefrite em recém-nascidos com ITU. A imaturidade do sistema imunológico e a dificuldade de localização da infecção justificam uma abordagem agressiva para prevenir complicações graves, como lesão renal permanente.

Qual a importância da ultrassonografia renal após o tratamento de ITU em RN?

A ultrassonografia renal e de vias urinárias é crucial após o tratamento de uma ITU febril em RN para rastrear anomalias congênitas do trato urinário (ACTU), como hidronefrose ou refluxo vesicoureteral, que são fatores de risco para ITUs recorrentes e lesão renal.

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