ITU Pós-Operatória em Idosos: Agente e Tratamento

HDG - Hospital Dilson Godinho (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 65 anos, masculino, internado por trauma abdominal fechado secundário à colisão de automóvel, foi submetido à laparotomia exploradora associada à esplenectomia parcial inferior. Evoluiu satisfatoriamente bem até a retirada da sonda vesical de demora no 6° PO, quando passou a apresentar confusão mental. No 7° PO, apresentou pico febril de 39°C associado a calafrios. Ao exame, encontrava-se febril, taquicárdico, AP com MVU sem ruídos adventícios, abdome flácido, pouco doloroso à palpação difusamente, com ferida operatória limpa e seca. Em relação ao caso, o provável agente etiopatogênico e o melhor tratamento respectivamente são:

Alternativas

  1. A) Enterobacter e Imipenem.
  2. B) Klebsiella e Gatifloxacino.
  3. C) Escherichia coli e Ceftriaxona. 
  4. D) Proteus mirabilis e Piperacicilina- Tazobactan. 

Pérola Clínica

Idoso pós-op, confusão + febre após retirada de sonda vesical → ITU por E. coli. Tratar com Ceftriaxona.

Resumo-Chave

A retirada de sonda vesical de demora em pacientes idosos, especialmente no pós-operatório, é um fator de risco para infecção do trato urinário (ITU). A confusão mental pode ser o único sinal de infecção em idosos. A *Escherichia coli* é o agente mais comum, e a Ceftriaxona é uma boa opção empírica para ITUs complicadas ou com sinais sistêmicos.

Contexto Educacional

Infecções do trato urinário (ITU) são as infecções hospitalares mais comuns, e a presença de sonda vesical de demora é um dos principais fatores de risco. Em pacientes idosos e no pós-operatório, a apresentação clínica pode ser atípica, manifestando-se principalmente com confusão mental, prostração e febre, o que pode atrasar o diagnóstico e tratamento. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações graves como a sepse urinária. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da uretra para a bexiga, facilitada pela sonda vesical. A *Escherichia coli* é o agente etiológico mais frequente. O diagnóstico é confirmado por urocultura com identificação do agente e antibiograma. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com fatores de risco e sintomas inespecíficos. A coleta de culturas antes do início do antibiótico é fundamental para guiar o tratamento definitivo. O tratamento empírico inicial deve cobrir os patógenos mais prováveis. A Ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração com excelente atividade contra *E. coli* e é uma escolha comum para ITUs complicadas ou com sinais de sepse. Após a obtenção dos resultados da cultura e antibiograma, o tratamento pode ser ajustado para um antibiótico de espectro mais estreito, otimizando a terapia e reduzindo a resistência antimicrobiana. A remoção da sonda vesical, se clinicamente possível, também é uma medida importante.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de ITU em pacientes idosos no pós-operatório?

Em idosos, os sinais de ITU podem ser atípicos, incluindo confusão mental, prostração, queda do estado geral e febre baixa, em vez dos sintomas urinários clássicos. A presença de calafrios e febre alta sugere uma infecção mais grave, como pielonefrite ou urossepse.

Por que a Escherichia coli é o agente mais provável em ITU pós-operatória?

A *Escherichia coli* é a bactéria gram-negativa mais comum no trato gastrointestinal e a principal causa de ITUs, tanto comunitárias quanto hospitalares. Em pacientes com sonda vesical, a colonização e infecção por *E. coli* são frequentes devido à proximidade anatômica e manipulação.

Qual a conduta inicial para suspeita de ITU em paciente pós-operatório com sepse?

A conduta inicial inclui coleta de urocultura e hemocultura antes do início do antibiótico, hidratação venosa e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, como a Ceftriaxona, que cobre bem os principais patógenos urinários, incluindo *E. coli*.

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