UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2023
Pré-escolar de 3 anos, feminino, previamente hígida, dá entrada na emergência com queixa de febre alta (39ºC), vômitos e recusa alimentar há 02 dias. A paciente não apresenta controle esfincteriano e sua mãe relata que notou diminuição nas trocas de fralda devido à diminuição da diurese. Ao exame físico encontra-se irritada, pálida (+/++++), TAx 39ºC, hiperemia perineal e dor á palpação abdominal. Solicitado parcial de urina por saco coletor com presença de intensa flora bacteriana. Neste caso, a conduta correta é:
Criança febril + suspeita ITU + parcial de urina contaminado = Urocultura por cateterismo vesical antes de ATB.
Em crianças pequenas com suspeita de ITU e parcial de urina coletado por saco coletor com intensa flora bacteriana (sugestivo de contaminação), a urocultura deve ser obtida por método estéril (cateterismo vesical ou punção suprapúbica) antes de iniciar a antibioticoterapia.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em pré-escolares, e pode levar a danos renais permanentes se não for diagnosticada e tratada precocemente. A febre sem foco aparente é uma apresentação comum em crianças pequenas. O diagnóstico de ITU em crianças não controladas esfincterianamente é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas e à dificuldade de obter uma amostra de urina não contaminada. A urocultura é o padrão-ouro para o diagnóstico. Amostras coletadas por saco coletor frequentemente são contaminadas, e um resultado positivo deve ser confirmado por um método estéril, como o cateterismo vesical ou a punção suprapúbica, antes de iniciar a antibioticoterapia. Uma vez confirmada a ITU, a antibioticoterapia deve ser iniciada prontamente para prevenir complicações como a pielonefrite e cicatrizes renais. A escolha do antibiótico inicial é empírica, baseada na epidemiologia local e na gravidade do quadro, e pode ser ajustada após o resultado da urocultura e antibiograma.
A coleta estéril (por cateterismo vesical ou punção suprapúbica) é crucial para evitar a contaminação da amostra e garantir um resultado confiável da urocultura, diferenciando infecção real de colonização ou contaminação.
Deve-se suspeitar de ITU em pré-escolares com febre sem foco aparente, especialmente se houver sintomas inespecíficos como vômitos, recusa alimentar, irritabilidade, dor abdominal ou alterações na diurese.
O saco coletor tem alta taxa de contaminação por bactérias da pele e períneo, o que pode levar a resultados falso-positivos e tratamentos desnecessários. É aceitável para triagem, mas resultados positivos exigem confirmação por método estéril.
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