USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Em uma consulta de rotina a mãe refere que sua filha de 5 anos teve disúria e polaciúria, sem febre, por 3 dias, há 10 dias atrás. Foi atendida na UPA sendo solicitado exame de urina, que foi coletado por jato médio. Após avaliação do exame de urina tipo 1 foi prescrito sulfametoxazol + trimetoprima (SMZ+T) VO e marcado retorno em 2 dias para checagem do resultado de urocultura. A mãe refere que a criança está bem e que a sintomatologia desapareceu com 48 horas de tratamento medicamentoso. Por isso resolveu aguardar a consulta de puericultura para avaliação do resultado da cultura de urina. Antecedentes da criança: asma brônquica e constipação intestinal funcional. Nega quadro semelhante anteriormente.Exames trazidos pela mãe:- Urina tipo 1: densidade 1,012; pH 5, nitrito positivo, proteína 50 mg/L, leucócitos 200-250 por campo, hemácias 20-30 por campo; - Urocultura: 300.000 UFC/mL de E coli, sensível a sulfametoxazol + trimetoprima.Qual a conduta mais adequada para esse caso?
Primeiro episódio de ITU baixa em criança > 2 anos, com boa resposta ao ATB e sem febre → Seguimento em puericultura, sem investigação adicional.
Em crianças maiores de 2 anos com primeiro episódio de infecção do trato urinário baixa (cistite), sem febre e com boa resposta clínica ao tratamento antibiótico, a conduta mais adequada é o seguimento regular em puericultura. Exames de imagem como ultrassonografia ou DMSA não são rotineiramente indicados nesses casos, sendo reservados para ITUs febris, recorrentes ou com outros fatores de risco.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, e seu manejo adequado é crucial para prevenir complicações como cicatrizes renais e hipertensão arterial. A apresentação clínica varia com a idade, sendo mais inespecífica em lactentes e com sintomas mais localizados (disúria, polaciúria) em crianças maiores. A distinção entre ITU alta (pielonefrite, com febre) e ITU baixa (cistite, sem febre) é fundamental para a conduta. O diagnóstico de ITU é confirmado pela urocultura, que deve ser coletada de forma adequada (jato médio em crianças maiores, cateterismo ou punção suprapúbica em lactentes). O tratamento antibiótico empírico deve ser iniciado prontamente, e ajustado conforme o antibiograma. A duração do tratamento varia, sendo geralmente de 3 a 5 dias para cistite e 7 a 14 dias para pielonefrite. No caso de um primeiro episódio de ITU baixa (cistite) em uma criança maior de 2 anos, sem febre e com boa resposta ao tratamento, a investigação complementar com exames de imagem (ultrassonografia de rins e vias urinárias, cintilografia com DMSA) não é rotineiramente indicada. Esses exames são reservados para ITUs febris, recorrentes, atípicas ou em crianças menores. Portanto, o seguimento regular em puericultura é a conduta mais adequada, monitorando o desenvolvimento da criança e a ocorrência de novos episódios.
O diagnóstico de ITU em crianças requer sintomas clínicos sugestivos (disúria, polaciúria, febre) e urocultura positiva com contagem significativa de colônias de um uropatógeno.
A ultrassonografia é indicada após o primeiro episódio de ITU febril em crianças de qualquer idade, ou em ITUs recorrentes, mas não rotineiramente para ITU baixa sem febre.
A cintilografia com DMSA é o exame mais sensível para detectar pielonefrite aguda e cicatrizes renais, sendo indicada em casos de ITU febril para avaliar o parênquima renal.
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