UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023
Lactente feminina, 6 meses de idade, em tratamento ambulatorial para infecção do trato urinário, primeiro episódio. Retorna, no terceiro dia de tratamento, para checagem de resultado de urocultura. Apresenta- -se com exame físico normal e com regressão de todos os sintomas que o levaram à primeira avaliação. Na urocultura, coletada por sondagem vesical, houve crescimento de Escherichia coli 100000 UFC, com o seguinte perfil de antibiograma:* cefalexina, nitrofurantoína, cefalotina: resistente;* ácido nalidíxico, meropenem, ertapenem, ciprofloxacina, sulfametoxazol-trimetoprim, amicacina: sensível;* amoxicilina/clavulanato: intermediário.Como a paciente está em uso de cefalexina, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a conduta terapêutica mais adequada.
ITU pediátrica: se melhora clínica com ATB, manter mesmo com resistência in vitro, reavaliar se piora.
Em infecções pediátricas, a resposta clínica é o principal guia terapêutico. Se um lactente com ITU está clinicamente bem e apresentando regressão dos sintomas com um antibiótico, mesmo que o antibiograma mostre resistência in vitro, a conduta mais adequada é manter o tratamento e monitorar, evitando escalonar desnecessariamente.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes. O diagnóstico e tratamento adequados são cruciais para prevenir complicações como cicatrizes renais e doença renal crônica. A urocultura com antibiograma é fundamental para identificar o agente etiológico e guiar a terapia antimicrobiana. No entanto, a interpretação do antibiograma deve sempre ser contextualizada com a resposta clínica do paciente. Em situações onde o lactente apresenta melhora clínica significativa, com regressão dos sintomas e exame físico normal, a conduta de manter o antibiótico em uso, mesmo que o antibiograma mostre resistência in vitro, é frequentemente a mais adequada. Isso ocorre porque a resistência in vitro nem sempre se traduz em falha terapêutica in vivo, especialmente em infecções de trato urinário onde altas concentrações do antibiótico podem ser alcançadas na urina. Além disso, a melhora clínica pode indicar que o sistema imunológico do paciente está contribuindo efetivamente para a resolução da infecção. Escalonar o tratamento para antibióticos de amplo espectro, como meropenem ou amicacina, ou mesmo ciprofloxacina (que não é de primeira linha em lactentes devido a preocupações com cartilagem), sem uma justificativa clínica clara de falha terapêutica, pode levar a desfechos indesejáveis. Tais desfechos incluem o aumento da pressão seletiva para resistência bacteriana, efeitos adversos mais graves e custos desnecessários. A reavaliação clínica rigorosa é essencial, e a troca do antibiótico só deve ser considerada se houver piora clínica ou ausência de melhora após um período razoável de tratamento.
A melhora clínica deve prevalecer quando o paciente está afebril, assintomático e com bom estado geral, mesmo que o antibiograma mostre resistência in vitro. Isso sugere que o antibiótico está sendo eficaz in vivo ou que a infecção está sendo controlada pelo sistema imune.
Trocar um antibiótico eficaz pode levar ao uso de antimicrobianos de espectro mais amplo, aumentando o risco de efeitos adversos, seleção de bactérias multirresistentes, custos elevados e, em alguns casos, prolongamento da internação ou tratamento desnecessário.
A urocultura por sondagem vesical é o método preferencial para coleta de urina em lactentes que não controlam a micção, pois minimiza a contaminação e fornece resultados mais fidedignos para o diagnóstico de infecção do trato urinário, sendo crucial para guiar o tratamento.
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