ITU Recorrente em Crianças: Manejo e Resistência Antibiótica

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015

Enunciado

Kátia, 6 anos, está no terceiro episódio de infecção do trato urinário. Nesse último quadro, foram solicitados sumário de urina e urocultura e prescrito sulfametoxazol-trimetoprim, enquanto se aguarda o resultado dos exames. Sobre as recomendações/condutas que você teria para essa paciente, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) se deve solicitar inicialmente a Uretrocistografia Miccional (UCM). Se a UCM for normal, deve-se realizar a Ultrassonografia (USG) de vias urinárias. 
  2. B) reavaliar a criança quanto aos sinais de falha terapêutica e possível troca do antibiótico devido ao elevado índice de resistência bacteriana ao sulfametoxazol-trimetoprim.
  3. C) pelos antecedentes, o agente etiológico mais provável para o caso é a Candida albicans, devendo-se mudar o tratamento para anfotericina. 
  4. D) deve fazer profilaxia de novos episódios de infecção urinária com cranberry, pois é inquestionável a evidência do seu benefício.
  5. E) o primeiro exame de imagem a ser realizado nesse caso é a urografia excretora, para descartar as malformações do trato urinário.

Pérola Clínica

ITU recorrente em criança → Reavaliar falha terapêutica e considerar resistência bacteriana ao ATB empírico.

Resumo-Chave

Em casos de ITU recorrente em crianças, especialmente se há uso empírico de antibióticos, é crucial reavaliar a resposta ao tratamento e considerar a possibilidade de resistência bacteriana, que é crescente para agentes como o sulfametoxazol-trimetoprim.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, com uma prevalência significativa, especialmente em meninas. A ITU recorrente, definida por três ou mais episódios de ITU febril ou dois ou mais episódios de pielonefrite, exige uma investigação mais aprofundada devido ao risco de lesão renal permanente. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir sequelas a longo prazo. O diagnóstico da ITU é baseado na clínica e confirmado por urocultura. O tratamento empírico inicial deve considerar o perfil de resistência local. No entanto, a crescente resistência bacteriana a antibióticos comuns, como o sulfametoxazol-trimetoprim, torna a reavaliação da terapia essencial em casos de falha clínica ou recorrência. A escolha do antibiótico deve ser guiada pela urocultura e antibiograma sempre que possível. A investigação de imagem é fundamental para identificar malformações do trato urinário que predispõem à ITU. A ultrassonografia de vias urinárias é o exame inicial, seguida pela uretrocistografia miccional (UCM) em casos selecionados para descartar refluxo vesicoureteral. A profilaxia antibiótica contínua pode ser considerada em crianças com refluxo significativo ou ITU recorrente, enquanto a evidência para o uso de cranberry ainda é controversa e não inquestionável.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos da ITU em crianças?

O principal agente etiológico da ITU em crianças é a Escherichia coli (E. coli), responsável por cerca de 80-90% dos casos. Outros agentes incluem Klebsiella, Proteus e Enterococcus.

Quando se deve suspeitar de falha terapêutica em uma criança com ITU?

Deve-se suspeitar de falha terapêutica se a criança não apresentar melhora clínica (febre, dor) após 48-72 horas do início do antibiótico, ou se a urocultura de controle persistir positiva com o mesmo germe.

Qual a sequência de exames de imagem recomendada para ITU recorrente em crianças?

O primeiro exame de imagem é a ultrassonografia de vias urinárias para avaliar anatomia. A uretrocistografia miccional (UCM) é indicada após a segunda ITU febril ou em casos de USG alterada para investigar refluxo vesicoureteral.

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