PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020
Bernardo, de 4 meses e meio, é trazido à emergência de hospital pediátrico de referência com quadro de febre há 12 horas, que cede ao uso de antitérmico, mas logo retorna após 4 horas, associado à recusa alimentar e vômitos. Ao exame físico, estado geral regular, febril, sem alterações à ausculta pulmonar e cardíaca, sem sinais de hipertensão intracraniana. Você solicita exames de sangue e urina (coletada por sonda de alívio). Hemograma com leucocitose com desvio à esquerda, Proteína C reativa: 105 mg/dL, Ureia: 15 mg/dL; Creatinina: 0,5 mg/dL. Parcial de urina: Leucócitos: 80.000/mL; Hemácias: <1.000/mL, Nitrito positivo, Bacterioscopia com presença de Bacilos Gram negativos 1+. A conduta mais apropriada é
Lactente <6 meses com ITU febril + exames alterados → Internar, hidratar, ATB EV imediato.
Em lactentes jovens (<6 meses) com febre e evidência de ITU (leucocitose, PCR alta, urina com nitrito positivo e bacilos), a conduta é internação e antibioticoterapia endovenosa imediata devido ao alto risco de pielonefrite e sepse.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) em lactentes é uma condição comum e potencialmente grave, especialmente quando acompanhada de febre. Em crianças menores de 2 anos, a ITU febril é um forte indicativo de pielonefrite aguda, que pode levar a cicatrizes renais e hipertensão arterial a longo prazo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir essas complicações. O quadro clínico em lactentes pode ser inespecífico, manifestando-se com febre, irritabilidade, recusa alimentar e vômitos, como no caso de Bernardo. A investigação laboratorial, incluindo hemograma, PCR e exame de urina (com urocultura coletada por cateterismo ou punção suprapúbica), é essencial para confirmar o diagnóstico. A presença de nitrito positivo e leucocitúria com bacilos Gram negativos na bacterioscopia, juntamente com leucocitose e PCR elevada, reforça a suspeita de ITU bacteriana. A conduta em lactentes com ITU febril é a internação hospitalar, hidratação venosa e início imediato de antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, cobrindo Gram negativos, até o resultado da urocultura e antibiograma. A ultrassonografia das vias urinárias deve ser realizada após a estabilização do quadro agudo para investigar anomalias anatômicas. O tratamento empírico pode incluir cefalosporinas de terceira geração.
Lactentes jovens (especialmente <3-6 meses), febre alta, sinais de toxicidade, vômitos, desidratação, exames laboratoriais alterados (PCR/VHS elevados, leucocitose) e urocultura positiva justificam a internação.
A via endovenosa garante rápida biodisponibilidade e altas concentrações do antibiótico no foco infeccioso, crucial para tratar pielonefrite e prevenir sepse em lactentes, que têm maior risco de complicações.
A ultrassonografia é fundamental para identificar anomalias anatômicas ou funcionais do trato urinário que predispõem à ITU, como hidronefrose ou refluxo vesicoureteral, e deve ser realizada após a fase aguda.
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