FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023
Lactente do sexo masculino, 18 meses de idade, comparece ao pronto atendimento devido à febre há 2 dias, prostração (mesmo nos períodos afebris) e diurese fétida. Nega outros sintomas, como tosse, coriza ou diarreia. Não há relato de adoecimento prévio ou uso de antibioticoterapia nos últimos 90 dias. Ao exame: estado geral regular, hipoativo, reativo. Hidratado, hipocorado (+/4+), anictérico e acianótico, febril (38,4°C). Oto/oro/rinoscopia=sem alterações. SN=sem meningismo, pupilas isocóricas e fotorreativas. AR=murmúrio vesicular fisiológico sem ruídos adventícios, sem esforço. FR: 42 irpm. ACV=ritmo cardíaco regular em 2 tempos, pulsos periféricos cheios, perfusão < 2 segundos. FC: 167 bpm. Abdome livre, sem massas, RHA+. Realizado exame de urina, colhida por sondagem vesical, que evidenciou=17 piócitos p/c; 3 epitélios p/c; 6 hemácias p/c; nitrito positivo; flora aumentada. Gram de gota=presença de bastonetes gram-negativos. Urocultura=em andamento. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada nesse momento.
Lactente febril + ITU alta (nitrito+, Gram-neg) → ATB parenteral (Gentamicina) para cobrir pielonefrite.
Em lactentes com suspeita de infecção do trato urinário (ITU) febril e sinais de infecção alta (prostração, febre, diurese fétida, nitrito positivo, bastonetes Gram-negativos na urina), o tratamento empírico deve cobrir pielonefrite e ser iniciado prontamente com antibióticos parenterais, como a gentamicina.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes. A ITU febril em lactentes é frequentemente um sinal de pielonefrite aguda, que pode levar a cicatrizes renais e, a longo prazo, a hipertensão arterial e doença renal crônica se não for tratada adequadamente. O diagnóstico de ITU em lactentes é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas. A coleta de urina por sondagem vesical ou punção suprapúbica é o método preferencial para obter uma amostra não contaminada para urocultura. A presença de nitrito positivo e bastonetes Gram-negativos no exame de urina sugere fortemente uma ITU bacteriana. O tratamento empírico para ITU febril em lactentes deve ser iniciado prontamente, preferencialmente com antibióticos parenterais, como gentamicina ou cefalosporinas de terceira geração (ex: ceftriaxona), devido à alta probabilidade de pielonefrite e à necessidade de atingir concentrações terapêuticas no parênquima renal. A nitrofurantoína não é recomendada para pielonefrite. A investigação de anomalias do trato urinário, como o refluxo vesicoureteral, é realizada após a resolução da infecção, com exames como ultrassonografia renal e uretrocistografia miccional.
O diagnóstico de ITU em lactentes exige a presença de sintomas (febre inexplicada, prostração, irritabilidade, diurese fétida) e uma urocultura positiva com contagem significativa de colônias, obtida por método adequado (sondagem vesical ou punção suprapúbica).
A gentamicina é um aminoglicosídeo com excelente cobertura para bacilos Gram-negativos (principais agentes da ITU), boa penetração renal e pode ser administrada em dose única diária, facilitando o tratamento parenteral inicial.
A UCM é indicada para investigar refluxo vesicoureteral (RVU) e outras anomalias anatômicas. Geralmente é realizada após o tratamento da ITU, quando a infecção está resolvida, para evitar a introdução de contraste em um trato urinário inflamado.
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