HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2024
Criança masculina, com oito meses de vida, chega à urgência apresentando febre elevada, anorexia, irritabilidade e vômitos há 48 horas. Ao exame físico, estava febril (38,9 ºC), muito irritada e apresentava dor inespecífica à palpação abdominal superficial e profunda. Exames complementares realizados:Exame de urina:• pH: 6,8• Densidade: 1,025• Elementos anormais Hb ++• Proteínas ++• Nitrito positivo• Piócitos: campos repletos• Hemácias: 12/c• Cristais: oxalato de fosfato amorfo ++• Flora aumentada• Gram de gota: numerosos bastonetesGram-negativos• Urocultura: 100.000 unidades formadoras de colônias/mL de E coli• Antibiograma: apresenta resistência para mais de 4 dos antibióticos testadosQual a conduta mais apropriada?
Lactente < 2 anos com ITU febril + urocultura positiva + resistência ATB → internação, ATB injetável, imagem pós-tratamento.
Lactentes com ITU febril, especialmente com urocultura positiva para E. coli e resistência a múltiplos antibióticos orais, devem ser internados para antibioticoterapia intravenosa. A propedêutica de imagem (USG renal e vesical, UCM) é indicada após o tratamento para investigar anomalias do trato urinário.
A infecção do trato urinário (ITU) em lactentes é uma condição comum e grave, pois pode levar a cicatrizes renais e hipertensão arterial na vida adulta se não for tratada adequadamente. A apresentação clínica em lactentes é inespecífica, com febre, irritabilidade, vômitos e anorexia, tornando o diagnóstico desafiador e a suspeita clínica fundamental. No caso apresentado, o lactente de 8 meses com febre elevada, sintomas sistêmicos e exame de urina com nitrito positivo, piócitos repletos e urocultura com 100.000 UFC/mL de E. coli confirma o diagnóstico de ITU febril, provavelmente pielonefrite. A resistência a mais de 4 antibióticos testados no antibiograma é um fator crítico que indica a necessidade de antibioticoterapia intravenosa, pois a via oral pode não ser eficaz. A internação é imperativa devido à idade do paciente (< 2 anos), à gravidade do quadro (febre alta, irritabilidade, vômitos) e à resistência bacteriana, que exige monitoramento e administração de antibióticos injetáveis. A propedêutica de imagem, como ultrassonografia renal e uretrocistografia miccional, deve ser realizada após o tratamento da infecção aguda para investigar anomalias anatômicas ou funcionais que predispõem a ITUs de repetição, sendo um passo crucial no manejo a longo prazo.
Critérios incluem idade < 2-3 meses, sinais de sepse, desidratação, vômitos persistentes, falha na antibioticoterapia oral, imunodeficiência, anomalias urológicas conhecidas e urocultura com germe resistente a antibióticos orais.
A via injetável garante melhor biodisponibilidade e concentrações adequadas do antibiótico no parênquima renal, sendo crucial para tratar pielonefrite e prevenir complicações em pacientes que podem ter dificuldade de absorção oral ou vômitos.
Após o tratamento, são indicados ultrassonografia renal e de vias urinárias para avaliar anomalias anatômicas, e uretrocistografia miccional (UCM) para investigar refluxo vesicoureteral, especialmente após o primeiro episódio de ITU febril.
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