AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023
Considerando o tratamento antimicrobiano da infecção do trato urinário em crianças, assinale a alternativa correta em relação à via de administração parenteral.
ITU em RN e lactentes jovens → Tratamento parenteral inicial devido ao risco de sepse e imaturidade imunológica.
Recém-nascidos e lactentes jovens com ITU têm maior risco de bacteremia e sepse, além de apresentarem sintomas inespecíficos e imaturidade do sistema imunológico. Por isso, a via parenteral é preferencial para garantir níveis séricos adequados de antibióticos e um tratamento mais eficaz e seguro.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, e seu manejo adequado é crucial para prevenir complicações a longo prazo, como cicatrizes renais e hipertensão arterial. A apresentação clínica da ITU em crianças varia significativamente com a idade. Em recém-nascidos e lactentes jovens, os sintomas são frequentemente inespecíficos, como febre, irritabilidade, recusa alimentar e icterícia, o que dificulta o diagnóstico e aumenta o risco de atraso no tratamento. Devido à imaturidade do sistema imunológico e à maior probabilidade de bacteremia e sepse em recém-nascidos e lactentes jovens (geralmente < 3 meses), a via de administração parenteral para antibióticos é a conduta de escolha inicial. Isso garante a rápida obtenção de níveis séricos terapêuticos e uma maior eficácia no combate à infecção sistêmica. O tratamento oral pode ser considerado em crianças mais velhas, com bom estado geral e sem sinais de gravidade, após a melhora clínica inicial ou se a ITU for de baixo risco. A escolha do antibiótico deve ser empírica inicialmente, cobrindo os patógenos mais comuns (principalmente Escherichia coli), e posteriormente ajustada com base no resultado da urocultura e do antibiograma. É essencial que residentes e pediatras estejam cientes das particularidades da ITU em diferentes faixas etárias pediátricas para instituir o tratamento correto e minimizar o risco de sequelas renais, que podem ter impacto significativo na saúde futura da criança.
Hospitalização e tratamento parenteral são indicados para recém-nascidos e lactentes jovens (< 3 meses), crianças com sinais de sepse, desidratação, vômitos persistentes, falha do tratamento oral, ou imunocomprometimento.
Cefalosporinas de terceira geração, como ceftriaxona ou cefotaxima, são frequentemente utilizadas devido ao seu amplo espectro e boa penetração no trato urinário. Aminoglicosídeos também podem ser considerados.
A urocultura é fundamental para confirmar o diagnóstico de ITU e identificar o agente etiológico, permitindo a escolha do antibiótico mais adequado com base no perfil de sensibilidade, otimizando o tratamento e evitando resistência.
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