UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Criança do sexo feminino, 7 anos, apresentava disúria, polaciúria, dor em hipogástrio e febre. Fez exames de urina I e urocultura, colhidos do jato médio em frasco estéril. A urina I apresentava nitrito positivo, bacteriúria intensa e leucocitúria acentuada. Foi medicada com amoxicilina + clavulanato oral. Após 4 dias, retornou com melhora total dos sintomas e com o resultado de urocultura: E. coli > de 100.000 colônias, resistente à amoxicilina+clavulanato e sensível à cefalosporinas, aminoglicosídeos, quinolonas, sulfametoxazol, trimetoprim, nitrofurantoína, ácido nalidíxico, tetraciclina. Assinale a opção com a conduta correta.
ITU pediátrica: Melhora clínica > resistência in vitro. Manter ATB se criança bem.
Em infecções do trato urinário (ITU) pediátricas, a melhora clínica do paciente é o fator mais importante na decisão de manter ou trocar o antibiótico. Se a criança está afebril e assintomática, mesmo com urocultura mostrando resistência in vitro, a manutenção do tratamento inicial é frequentemente a conduta correta para evitar o uso desnecessário de antibióticos de amplo espectro.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, e seu manejo adequado é crucial para prevenir complicações como cicatrizes renais. O tratamento empírico inicial é guiado pela epidemiologia local e perfil de resistência, sendo ajustado após o resultado da urocultura e antibiograma. No entanto, a interpretação desses resultados deve sempre considerar o quadro clínico do paciente. Em situações onde há uma discrepância entre a melhora clínica e a resistência in vitro detectada no antibiograma, a conduta mais prudente e baseada em evidências é manter o antibiótico se a criança estiver clinicamente bem. Isso ocorre porque a concentração do antibiótico no trato urinário pode ser suficiente para erradicar a bactéria, mesmo que o teste in vitro indique resistência. Além disso, a flora bacteriana pode ser heterogênea, e a bactéria resistente pode não ser a predominante ou a mais virulenta. Residentes devem ser treinados para valorizar a avaliação clínica do paciente acima de um resultado laboratorial isolado, evitando a escalada desnecessária de antibióticos. A troca de um antibiótico eficaz por um de espectro mais amplo, sem indicação clínica clara, contribui para o aumento da resistência antimicrobiana e expõe o paciente a riscos desnecessários. A vigilância para sinais de falha terapêutica é sempre essencial.
A troca do antibiótico deve ser considerada se a criança não apresentar melhora clínica (persistência de febre, sintomas) ou piora do quadro, apesar do tratamento inicial. A resistência in vitro isolada, na ausência de falha terapêutica, geralmente não justifica a troca.
A melhora clínica é o principal indicador de sucesso terapêutico. Se o paciente está afebril e assintomático, significa que o antibiótico, mesmo que resistente in vitro, foi eficaz in vivo, provavelmente devido a concentrações adequadas no local da infecção.
Trocar o antibiótico sem necessidade pode levar ao uso de antimicrobianos de espectro mais amplo, aumentando o risco de efeitos adversos, seleção de bactérias multirresistentes e custos desnecessários. Além disso, pode mascarar a verdadeira causa da falha terapêutica, se houver.
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