ITU Pediátrica: Quando e Como Investigar por Imagem

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente com um ano e dois meses de idade foi levado ao pronto‑socorro com quadro febril há dois dias. Na investigação, foi solicitado um exame de urina e identificado um quadro de infecção urinária. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta, a respeito da infecção do trato urinário.

Alternativas

  1. A) A ultrassonografia é o exame com maior sensibilidade para a detecção do refluxo vesicoureteral e está indicada para a investigação desse caso.
  2. B) A maioria dos episódios de ITU é causada por bacilos gram‑positivos.
  3. C) A presença de bacteriúria significativa em crianças sem nenhuma sintomatologia relacionada à infecção urinária é chamada de bacteriúria assintomática e sempre deverá ser tratada.
  4. D) Nesse caso, a investigação por imagens do trato urinário está indicada e justifica‑se pela frequente associação de infecção do trato urinário a anomalias do trato urinário, principalmente o refluxo vesicoureteral e os processos obstrutivos.
  5. E) Esse paciente deve ser internado para se iniciar o tratamento e a uretrocistografia miccional deve ser realizada ainda na internação, antes de ser finalizado o tratamento erradicador.

Pérola Clínica

ITU febril em criança < 2 anos → sempre investigar anomalias do trato urinário com USG e UCM.

Resumo-Chave

A investigação por imagem do trato urinário é fundamental em crianças com ITU, especialmente nos primeiros episódios febris, devido à alta associação com anomalias congênitas como refluxo vesicoureteral e obstruções, que podem levar a lesão renal.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, com maior incidência em meninas e em lactentes. É crucial o diagnóstico e tratamento precoces para prevenir complicações a longo prazo, como cicatrizes renais, hipertensão arterial e doença renal crônica. A ITU febril, especialmente em crianças pequenas, é um sinal de alerta para a possível presença de anomalias congênitas do trato urinário. A fisiopatologia da ITU em crianças frequentemente envolve a ascensão de bactérias da região perineal para a bexiga e, em casos de refluxo vesicoureteral, para os rins. A investigação por imagem é indicada para identificar fatores predisponentes. A ultrassonografia renal e das vias urinárias é o exame inicial para avaliar a anatomia e detectar hidronefrose. A uretrocistografia miccional (UCM) é o padrão-ouro para diagnosticar refluxo vesicoureteral, sendo recomendada após o primeiro episódio de ITU febril em menores de 2 anos ou em casos de ITU recorrente. O tratamento da ITU em crianças envolve antibióticos apropriados, com duração e via de administração dependendo da gravidade e localização da infecção. A profilaxia antibiótica pode ser considerada em casos selecionados de refluxo vesicoureteral significativo. O acompanhamento a longo prazo é essencial para monitorar a função renal e prevenir recorrências, com atenção especial à detecção e manejo de anomalias anatômicas.

Perguntas Frequentes

Quais exames de imagem são indicados na investigação de ITU em crianças?

A ultrassonografia renal e das vias urinárias é o exame inicial recomendado para avaliar a anatomia renal e detectar hidronefrose. A uretrocistografia miccional (UCM) é indicada para investigar refluxo vesicoureteral, especialmente após um primeiro episódio de ITU febril em crianças menores de 2 anos ou em casos recorrentes.

Qual a importância do refluxo vesicoureteral na ITU pediátrica?

O refluxo vesicoureteral permite o retorno da urina da bexiga para os ureteres e rins, facilitando a ascensão de bactérias e aumentando o risco de pielonefrite e cicatrizes renais. É uma das anomalias mais comuns associadas à ITU em crianças.

A bacteriúria assintomática em crianças deve sempre ser tratada?

Não, a bacteriúria assintomática, definida pela presença de bactérias na urina sem sintomas de infecção, geralmente não requer tratamento em crianças, exceto em situações específicas como antes de procedimentos urológicos invasivos ou em pacientes imunocomprometidos. O tratamento desnecessário pode levar à resistência antimicrobiana.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo