UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Uma pré-escolar de 3 anos, feminino, previamente hígida, dá entrada na emergência com queixa de febre alta (39,5°C), vômitos e recusa alimentar há 2 dias. A paciente não apresenta controle esfincteriano e mãe relata que troca fralda menos vezes devido à diminuição de diurese. Ao exame físico mostra-se irritada, descorada (1+/4+), tax 39°C, hiperemia perineal e dor a palpação abdominal. Fralda com odor fétido. Solicitado parcial de urina por saco coletor com presença de intensa flora bacteriana. Neste caso, a conduta é:
ITU febril em pré-escolar → coleta de urina por cateterismo vesical + ATB venosa empírica.
Em pré-escolares com suspeita de ITU febril, a coleta de urina por cateterismo vesical é o método padrão-ouro para evitar contaminação e garantir um diagnóstico preciso. A presença de febre e sinais sistêmicos indica maior risco de pielonefrite, justificando o início de antibioticoterapia venosa.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, e seu diagnóstico e manejo adequados são cruciais para prevenir complicações como cicatrizes renais e hipertensão arterial. Em pré-escolares, a apresentação clínica pode ser inespecífica, com febre, irritabilidade e sintomas gastrointestinais, tornando o diagnóstico um desafio. A suspeita de ITU febril exige uma abordagem diagnóstica e terapêutica rápida e precisa. A fisiopatologia da ITU envolve a ascensão de bactérias da região perineal para o trato urinário. Em crianças pequenas, a ausência de controle esfincteriano e a anatomia feminina favorecem a contaminação. O diagnóstico definitivo requer uma urocultura com coleta adequada. Para crianças que não controlam esfíncteres, o cateterismo vesical ou a punção suprapúbica são os métodos preferenciais para obter uma amostra de urina não contaminada, evitando os falsos positivos frequentemente associados ao saco coletor. A presença de febre sugere pielonefrite, uma infecção do parênquima renal, que demanda tratamento mais agressivo. O tratamento da ITU febril em pré-escolares geralmente envolve antibioticoterapia venosa empírica, cobrindo os patógenos mais comuns (principalmente Escherichia coli), até que o resultado da urocultura e antibiograma esteja disponível. A escolha do antibiótico deve considerar o perfil de sensibilidade local. O prognóstico é bom com tratamento precoce e adequado, mas o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a danos renais permanentes. É fundamental orientar os pais sobre a importância do seguimento e da prevenção de novas infecções.
Sinais de alerta incluem febre alta sem foco aparente, vômitos, recusa alimentar, irritabilidade, dor abdominal, diminuição da diurese e odor fétido na fralda. A hiperemia perineal também pode ser um indicativo.
A coleta por saco coletor apresenta alta taxa de contaminação, especialmente em meninas, podendo levar a resultados falso-positivos. Para um diagnóstico confiável de ITU febril, métodos invasivos como cateterismo vesical ou punção suprapúbica são preferíveis.
A antibioticoterapia venosa é indicada em crianças com suspeita de pielonefrite (ITU febril), especialmente em menores de 2 anos, pacientes com toxemia, vômitos persistentes, desidratação ou falha da terapia oral. O tratamento deve ser iniciado após a coleta da urocultura.
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