UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024
Lactente, sexo masculino, 4 meses de idade, natural e procedente de Cuiabá-MT, é levado por sua mãe à UPA com história de febre 39ºC, recusa alimentar e vômitos há 2 dias. Relata aleitamento materno exclusivo e que é a primeira vez que adoece. Pré-natal, parto e pós-parto sem intercorrência. Parto normal a termo, AIG. Vacinas em dia.Exame físico: choroso, aceitando o seio materno, febril (Tax: 38,3ºC), sem outra alteração no exame físico geral e especial. Foi realizado hemograma e EAS. Hemograma: Hb:11 g/L, Ht: 35%, Leucócitos 16.000/mm³, neutrófilos 60%, linfócitos 40%. Plaquetas: 288.000/mm³. O EAS revelou leucocitúria e presença de nitritos. Colhida urina por cateter vesical para urocultura.Nesse caso, a melhor conduta é:
Lactente febril com EAS alterado (leucocitúria, nitritos) → iniciar ATB imediato pós-urocultura, solicitar USG renal.
Em lactentes febris com suspeita de ITU (EAS com leucocitúria e nitritos), a conduta é iniciar antibioticoterapia empírica imediatamente após a coleta da urocultura por cateter vesical. A confirmação diagnóstica virá da urocultura, e a ultrassonografia renal e de vias urinárias é essencial para investigar anomalias anatômicas, com encaminhamento para especialista se houver alterações.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida. Em crianças pequenas, a ITU febril é frequentemente um sinal de pielonefrite, que pode levar a cicatrizes renais e, a longo prazo, a hipertensão arterial e doença renal crônica. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são, portanto, cruciais para prevenir sequelas. A apresentação clínica em lactentes é inespecífica, tornando a suspeita clínica fundamental diante de febre sem foco aparente. O diagnóstico definitivo de ITU requer uma urocultura positiva, preferencialmente coletada por cateterismo vesical ou punção suprapúbica para evitar contaminação. No entanto, em um lactente febril com exame de urina (EAS) sugestivo (leucocitúria e nitritos), a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a coleta da urocultura, sem aguardar o resultado. Isso minimiza o risco de progressão da infecção e dano renal. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais comuns, como E. coli. Após o tratamento da ITU, a investigação com ultrassonografia renal e de vias urinárias é recomendada para identificar anomalias anatômicas. Em casos de ITU recorrente, pielonefrite grave ou achados anormais na ultrassonografia, exames adicionais como a uretrocistografia miccional (UCM) e a cintilografia renal com DMSA podem ser indicados para avaliar refluxo vesicoureteral e cicatrizes renais, respectivamente. O acompanhamento com nefrologista pediátrico é essencial para crianças com achados anormais ou ITUs de repetição.
Em lactentes, os sintomas de ITU são inespecíficos e podem incluir febre sem foco aparente, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos, diarreia e icterícia. A ausência de sintomas urinários clássicos torna o diagnóstico desafiador.
A urocultura por cateter vesical é o método de coleta de urina mais confiável em lactentes, pois minimiza a contaminação. Amostras de saco coletor têm alta taxa de falsos positivos e não devem ser usadas para diagnóstico definitivo.
A ultrassonografia renal e de vias urinárias deve ser solicitada após a primeira ITU febril em lactentes para rastrear anomalias congênitas do trato urinário (CAKUT), como hidronefrose ou refluxo vesicoureteral, que podem predispor a infecções recorrentes e dano renal.
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