MedEvo Simulado — Prova 2026
Theo, um lactente de 8 meses de idade, é levado à emergência pediátrica com história de febre elevada (39,2 °C) há 24 horas, acompanhada de irritabilidade e recusa parcial das mamadas. Não apresenta tosse, coriza, vômitos ou diarreia. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, hidratado, com orofaringe e otoscopia normais e abdome sem massas ou dor à palpação profunda. A genitália externa não apresenta sinais inflamatórios ou sinéquias. Diante da febre sem foco definido, foi realizada coleta de urina por cateterismo vesical. O exame de urina tipo I revelou densidade 1012, pH 6,0, nitrito positivo, esterase leucocitária 3+, presença de mais de 50 leucócitos por campo e numerosas bactérias. O hemograma evidenciou 17.500 leucócitos/mm³ com 10% de bastonetes, e a Proteína C-Reativa (PCR) foi de 52 mg/L. Com base nas recomendações atuais para o manejo de infecção do trato urinário na infância, a conduta mais adequada é:
Lactente estável com ITU → Antibiótico VO (Cefalosporina 2ª/3ª) + USG após fase aguda.
Em lactentes com bom estado geral e ITU, a via oral é preferível à parenteral. A investigação por imagem inicial deve ser a ultrassonografia após a resolução da febre.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma causa comum de febre sem foco em lactentes. O diagnóstico baseia-se na clínica e em exames de urina coletados por métodos estéreis (cateterismo ou punção suprapúbica). A presença de nitrito e esterase leucocitária tem alta especificidade. O tratamento inicial para pacientes estáveis pode ser feito com cefalosporinas de segunda ou terceira geração por via oral, como a cefuroxima ou cefixima. A investigação por imagem começa com a ultrassonografia, reservando exames mais invasivos para casos selecionados ou recorrentes.
A internação e antibioticoterapia parenteral são indicadas para lactentes com menos de 2-3 meses de idade, sinais de sepse, desidratação grave, vômitos persistentes que impedem a via oral, ou falha na resposta ao tratamento ambulatorial após 48-72 horas. No caso clínico, o lactente está em bom estado geral e hidratado, permitindo o manejo ambulatorial com segurança.
A ultrassonografia de rins e vias urinárias (USG-RVU) é recomendada após o primeiro episódio de ITU febril em crianças de 2 a 24 meses. Seu objetivo principal é identificar anomalias anatômicas grosseiras, como hidronefrose ou duplicidade ureteral, que possam predispor a novas infecções. Não deve ser feita na urgência, a menos que haja suspeita de abscesso ou má resposta clínica.
As diretrizes atuais (como as da AAP) recomendam a uretrocistografia miccional (UCM) apenas se a USG-RVU inicial mostrar alterações significativas ou se houver recorrência da ITU febril. Isso visa reduzir a exposição à radiação e o desconforto do procedimento invasivo em casos de baixo risco de refluxo vesicoureteral grave.
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