FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Sobre a investigação por imagens do trato urinário após infecção urinária (ITU) em crianças, é correto afirmar que:
ITU em criança → Investigar sempre (USG/UCM) devido à alta associação com anomalias.
A investigação por imagem após a primeira ITU febril em crianças visa identificar malformações anatômicas, como o refluxo vesicoureteral, prevenindo cicatrizes renais e insuficiência renal crônica.
As diretrizes para investigação de ITU variam entre sociedades (como AAP, SBP e NICE), mas o consenso fundamental é que a presença de febre ou sinais de gravidade em lactentes exige uma avaliação criteriosa. O objetivo primordial é a preservação da função renal a longo prazo, identificando precocemente crianças com 'rins em risco'. A associação entre ITU e anomalias do trato urinário é muito frequente na pediatria, atingindo até 30-50% dos casos investigados. Portanto, a conduta de aguardar um segundo episódio para iniciar a investigação é considerada ultrapassada em muitos protocolos, especialmente em menores de 2 anos, onde o risco de cicatriz renal por pielonefrite é máximo.
A infecção do trato urinário na infância é frequentemente um marcador de anomalias estruturais subjacentes, como o refluxo vesicoureteral (RVU) ou válvulas de uretra posterior. A detecção precoce dessas condições é crucial para implementar medidas preventivas, como profilaxia antibiótica ou intervenção cirúrgica, que evitem infecções recorrentes e a formação de cicatrizes renais definitivas que podem levar à hipertensão e insuficiência renal.
Geralmente, inicia-se com a ultrassonografia de rins e vias urinárias para avaliar a anatomia macroscópica e presença de hidronefrose. Dependendo da idade, gravidade da infecção e achados ultrassonográficos, a uretrocistografia miccional (UCM) é indicada para diagnosticar RVU. A cintilografia renal com DMSA é o padrão-ouro para detectar cicatrizes renais e avaliar a função renal relativa.
O RVU é o fluxo retrógrado da urina da bexiga para os ureteres e rins devido a uma falha na junção ureterovesical. É a anomalia mais comum encontrada em crianças com ITU. O refluxo predispõe à ascensão de bactérias para o parênquima renal, aumentando significativamente o risco de pielonefrite e dano renal crônico (nefropatia de refluxo) se não for manejado adequadamente.
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