INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Um menino, com um ano de idade, está sendo atendido no Pronto-Socorro de Pediatria com histórico de febre alta, falta de apetite e irritabilidade há dois dias. A mãe informou que hoje a criança apresentou vômitos, tremores e recusou toda a alimentação. Ao exame físico, apresentase hipoativo, com desidratação de primeiro grau e febre (39ºC). Para a investigação desse quadro febril, sem foco aparente, foram realizados os seguintes exames: Estudo do líquor: normal Eritrograma: Hb: 11,5 g/dL Ht: 37,5 %. Leucograma: 25.000/mm³, com 10% de bastonetes. Pla- quetas: normais Exame sumário de urina (colhido com saco coletor): nitrito positivo; leucócitos: 430.000/ml; eritrócitos: 15.000/ml Urocultura: em execução. Com base na suspeita de infecção urinária, qual é a conduta a ser adotada?
Lactente febril + Saco coletor (+) + Sinais de gravidade → Confirmar (SPA/SVD) + Internar + ATB IV.
Em lactentes com suspeita de ITU e sinais de gravidade ou vômitos, a coleta estéril é obrigatória para confirmação, seguida de internação e antibioticoterapia parenteral.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das causas mais comuns de febre sem foco em lactentes. O diagnóstico precoce é fundamental para prevenir cicatrizes renais e doença renal crônica futura. Em crianças pequenas, os sintomas são inespecíficos, como irritabilidade, recusa alimentar e vômitos, tornando o exame de urina essencial na investigação de quadros febris. As diretrizes atuais enfatizam a importância da técnica de coleta. Em crianças sem controle esfincteriano, a punção suprapúbica (considerada o padrão-ouro) ou o cateterismo vesical são os métodos preferenciais. O tratamento parenteral é indicado para casos complicados ou com intolerância oral, sendo a transição para via oral realizada após 24-48 horas de apirexia e melhora clínica, completando-se geralmente 7 a 14 dias de tratamento total.
O saco coletor de urina apresenta uma taxa de contaminação extremamente elevada, chegando a 70%, o que resulta em um baixo valor preditivo positivo. Um resultado positivo (leucocitúria ou nitrito) em amostra de saco coletor não confirma infecção, pois microrganismos da flora perineal e vaginal frequentemente contaminam o recipiente. Sua utilidade clínica reside quase exclusivamente no seu alto valor preditivo negativo; ou seja, se a urina for normal no saco coletor, a chance de ITU é mínima. Para o diagnóstico definitivo e início de tratamento, especialmente em lactentes febris ou com sinais de sepse, é obrigatória a coleta por métodos estéreis, como o cateterismo vesical ou a punção suprapúbica, que minimizam a interferência da flora externa.
As indicações de internação para crianças com ITU incluem: idade jovem (geralmente < 2-3 meses), sinais de toxicidade sistêmica ou sepse, desidratação, incapacidade de tolerar ingestão oral (vômitos), falha no tratamento ambulatorial prévio, malformações urinárias conhecidas ou incerteza quanto ao seguimento ambulatorial. No caso apresentado, o lactente de 1 ano apresenta febre alta, irritabilidade, vômitos e hipoatividade, o que configura um quadro de gravidade moderada a alta, justificando plenamente a internação para hidratação venosa e antibioticoterapia parenteral inicial até a estabilização clínica e resultados de cultura.
Diante de um paciente com alta suspeita clínica de ITU e sinais de gravidade, não se deve aguardar o resultado da urocultura para iniciar o tratamento. Após a coleta de urina por método estéril (cateterismo ou punção suprapúbica) e coleta de hemoculturas, deve-se iniciar a antibioticoterapia empírica parenteral. A escolha costuma recair sobre cefalosporinas de 3ª geração (como Ceftriaxone ou Cefotaxime) ou aminoglicosídeos, dependendo do perfil de resistência local. O tratamento será posteriormente ajustado (escalonado ou descalonado) conforme o resultado do antibiograma da urocultura, que geralmente leva de 48 a 72 horas para ficar pronto.
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