SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
M.J.S.S., sexo feminino, 3 anos, procura atendimento médico no Hospital Público Municipal com quadro de febre baixa, disúria e polaciúria, mantendo bom estado geral. Colhida urina de jato médio com técnica e higiene adequados e EAS com incontáveis piócitos, Cultura de urina também colhida. Foi diagnosticada com Infecção do Trato Urinário e optado por tratamento domiciliar. Qual antibiótico não seria indicado para a paciente?
Febre na ITU pediátrica → evitar Nitrofurantoína (baixa penetração renal e sistêmica).
A nitrofurantoína atinge concentrações terapêuticas apenas na bexiga. Em crianças com febre, assume-se risco de acometimento do parênquima renal (pielonefrite), exigindo drogas com ação sistêmica.
O manejo da Infecção do Trato Urinário (ITU) em pediatria exige cautela devido ao risco de dano renal permanente. A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria enfatizam que a febre é um marcador de gravidade e possível envolvimento do parênquima renal. A nitrofurantoína é um excelente antisséptico urinário para cistites afebris em adultos e adolescentes, mas sua farmacocinética limita seu uso em crianças pequenas com sintomas sistêmicos. O tratamento deve ser iniciado empiricamente após a coleta de exames, visando patógenos comuns como a Escherichia coli, e ajustado conforme o resultado da urocultura e do antibiograma.
A nitrofurantoína possui uma farmacocinética específica onde é rapidamente absorvida e excretada na urina, atingindo altas concentrações apenas na luz da bexiga. Ela não alcança níveis terapêuticos eficazes no sangue ou no parênquima renal. Como a presença de febre em uma criança com ITU sugere fortemente o envolvimento do trato urinário superior (pielonefrite), a droga seria ineficaz para tratar o foco principal da infecção, podendo levar a complicações como abscessos renais ou sepse.
Para o tratamento ambulatorial de ITU em crianças, as opções incluem cefalosporinas de segunda geração (como cefuroxima ou cefaclor) e a associação de amoxicilina com clavulanato. O sulfametoxazol-trimetoprim também pode ser utilizado, dependendo do perfil de resistência local da E. coli. A escolha deve priorizar drogas com boa absorção oral e que garantam níveis sistêmicos e renais adequados para cobrir uma possível pielonefrite subclínica.
Clinicamente, a diferenciação pode ser difícil em crianças pequenas. A presença de febre, dor lombar, vômitos e prostração direciona o diagnóstico para pielonefrite. A cistite geralmente se manifesta apenas com sintomas irritativos baixos (disúria, polaciúria, urgência) sem sinais sistêmicos. Em pediatria, qualquer ITU febril deve ser manejada com o rigor de uma infecção do trato superior para prevenir cicatrizes renais permanentes.
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