ITU Não Complicada: Tratamento Atualizado e Eficaz

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente apresenta um quadro típico de infecção urinária com ardência ao urinar, aumento da frequência (urina várias vezes ao dia em pequenas quantidades), alteração da cor e do cheiro da urina. No que se refere à melhor conduta segundo o último consenso de tratamento, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Prescrever quinolona como norfloxacino de 12/12h, por sete dias.
  2. B) Não se pode iniciar medicação e sempre pedir exames comuns de urina e de urocultura antes.
  3. C) A primeira escolha deve ser ampicilina 500 mg de oito em oito horas por três dias.
  4. D) Prescrever fosfomicina dose única já que a paciente não relata dor lombar e nem febre.
  5. E) Prescrever penicilina injetável ou ceftriaxona em dose única.

Pérola Clínica

ITU não complicada (sem febre/dor lombar) → Fosfomicina dose única ou Nitrofurantoína 3-5 dias.

Resumo-Chave

Em casos de infecção do trato urinário (ITU) não complicada, caracterizada por sintomas de cistite sem febre, dor lombar ou outros sinais de pielonefrite, o tratamento de primeira linha pode ser feito com antibióticos de curta duração, como a fosfomicina em dose única ou nitrofurantoína por 3 a 5 dias, devido à sua eficácia e menor impacto na resistência bacteriana.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns, especialmente em mulheres. A cistite aguda não complicada é caracterizada por sintomas como disúria, polaciúria, urgência miccional e dor suprapúbica, na ausência de febre, dor lombar ou outros sinais de comprometimento sistêmico ou do trato urinário superior. É crucial diferenciar a ITU não complicada da complicada ou da pielonefrite, pois o manejo difere significativamente. O diagnóstico da ITU não complicada é primariamente clínico, baseado nos sintomas típicos. Exames complementares como o exame de urina tipo 1 (uroanálise) podem confirmar a presença de piúria e nitrito, mas a urocultura não é sempre necessária para iniciar o tratamento empírico em casos típicos e não complicados. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora periuretral (principalmente Escherichia coli) para a bexiga. O tratamento da ITU não complicada deve ser guiado pelas diretrizes locais de resistência antimicrobiana. As opções de primeira linha incluem fosfomicina trometamol (dose única), nitrofurantoína (por 3-5 dias) e sulfametoxazol-trimetoprim (por 3 dias), se a taxa de resistência local for baixa (<20%). Quinolonas não são recomendadas como primeira escolha devido ao aumento da resistência e efeitos adversos. A ausência de dor lombar e febre é um critério importante para considerar um tratamento de curta duração e menos agressivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma ITU não complicada?

Uma ITU não complicada é diagnosticada em mulheres não grávidas, sem comorbidades significativas, que apresentam sintomas de cistite (disúria, polaciúria, urgência, dor suprapúbica) sem sinais de infecção do trato urinário superior, como febre, calafrios ou dor lombar.

Por que a fosfomicina é uma boa opção para ITU não complicada?

A fosfomicina trometamol é uma excelente opção para ITU não complicada devido à sua eficácia em dose única, amplo espectro contra os principais uropatógenos (incluindo E. coli), baixa taxa de resistência e boa tolerabilidade, além de ser segura na gravidez.

Quando a urocultura é indispensável na investigação de ITU?

A urocultura é indispensável em casos de ITU complicada, pielonefrite, falha terapêutica, ITU recorrente, gravidez, pacientes imunocomprometidos ou homens, para identificar o patógeno e guiar a terapia antibiótica. Em ITU não complicada, o tratamento empírico é frequentemente suficiente.

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