ITU Febril em Lactentes: Agentes e Manejo Inicial

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Uma bebê de 8 meses de vida foi levada ao pronto atendimento por apresentar febre há mais de 72 horas. Ao exame físico, não apresentava nenhuma alteração. Foram solicitados exames de sangue e de urina. A criança foi diagnosticada com infecção de trato urinário (ITU). Em relação à ITU, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Entre os principais agentes de infecção de trato urinário estão a E. coli, Proteus e Klesbsiella.
  2. B) E importante aguardar o resultado da urocultura para iniciar o tratamento com antibiótico.
  3. C) Nesse caso a coleta da urina deve ser realizada por saco coletor e os leucócitos estando aumentados identifica infecção do trato urinário e o tratamento deve ser iniciado.
  4. D) Crianças menores de 1 ano de idade devem ser tratadas com antibiótico endovenoso.
  5. E) Na infecção de trato urinário febril, o tratamento deve se de sete dias.

Pérola Clínica

ITU febril em lactentes: E. coli é o principal agente, seguida por Proteus e Klebsiella; iniciar ATB empírico antes da urocultura.

Resumo-Chave

A Infecção do Trato Urinário (ITU) em lactentes é frequentemente febril e sem sinais localizatórios, sendo a Escherichia coli o agente etiológico mais comum, seguido por Proteus e Klebsiella. O tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado prontamente após a coleta da urocultura, sem aguardar o resultado, para evitar complicações como pielonefrite e cicatrizes renais.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes, onde a apresentação clínica pode ser atípica, manifestando-se apenas com febre sem foco aparente. A ITU febril em crianças pequenas é um sinal de alerta para pielonefrite, que pode levar a cicatrizes renais e, a longo prazo, a hipertensão arterial e doença renal crônica. A identificação e o tratamento precoces são, portanto, de suma importância. Os principais agentes etiológicos da ITU em crianças são bactérias gram-negativas provenientes do trato gastrointestinal. A Escherichia coli é a bactéria mais frequentemente isolada, responsável pela vasta maioria dos casos. Outros patógenos comuns incluem Proteus mirabilis, Klebsiella pneumoniae e, em menor grau, Enterococcus faecalis. O diagnóstico requer uma urocultura com coleta adequada, preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica em lactentes, devido à alta taxa de contaminação de amostras de saco coletor. O tratamento da ITU febril em lactentes deve ser iniciado empiricamente com antibióticos de amplo espectro imediatamente após a coleta da urocultura, sem aguardar o resultado, para evitar a progressão da infecção e o dano renal. A escolha do antibiótico e da via (oral ou endovenosa) depende da gravidade do quadro e da idade da criança, sendo comum o uso de cefalosporinas de terceira geração. A duração do tratamento para pielonefrite geralmente varia de 7 a 14 dias. Após o tratamento, a investigação de anomalias do trato urinário, como refluxo vesicoureteral, é frequentemente indicada para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os agentes etiológicos mais comuns da ITU em crianças?

A Escherichia coli é responsável por cerca de 80-90% dos casos de ITU em crianças. Outros agentes gram-negativos importantes incluem Proteus mirabilis, Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. Enterococos também podem ser encontrados.

Como deve ser feita a coleta de urina para urocultura em lactentes?

A coleta de urina em lactentes deve ser feita por métodos que minimizem a contaminação, como cateterismo vesical ou punção suprapúbica, especialmente em casos de ITU febril. O saco coletor tem alta taxa de contaminação e não é recomendado para diagnóstico definitivo de ITU.

Qual a duração do tratamento antibiótico para ITU febril em lactentes?

Para ITU febril (pielonefrite) em lactentes, o tratamento antibiótico geralmente dura de 7 a 14 dias. A escolha da via (endovenosa ou oral) e do antibiótico inicial depende da gravidade do quadro e do perfil de sensibilidade local, sendo frequentemente iniciado com cefalosporinas de terceira geração.

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