ITU em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento Urgente

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2022

Enunciado

João, 6 meses, 5,8 Kg, foi levado ao PS pelos seus pais com relato de distensão abdominal, febre, recusa alimentar e irritabilidade há 2 dias. Pais referem que não houve intercorrências na gestação ou parto, negam comorbidades, alergias ou cirurgias. Referem vacinas em dia. Pediatra solicitou EAS, realizada sondagem vesical de alívio após higienização adequada e o exame evidenciou urina turva, leucócitos 20 por campo, com nitrito negativo. Sobre o paciente acima e pensando na principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) Para a principal hipótese diagnóstica, o sintoma mais comum no lactente é a febre.
  2. B) Devem ser considerados como principais agentes etiológicos E coli e Proteus.
  3. C) A prescrição pode conter apenas sintomáticos (ex: antitérmicos, analgésicos, antigases) e orientar pais a retornarem caso a febre persista em 48h ou se surgirem sinais de alarme.
  4. D) Se confirmada a principal hipótese diagnóstica, é necessária a realização de investigação por imagem em todas as crianças.

Pérola Clínica

ITU em lactente: febre + piúria → iniciar ATB prontamente para prevenir lesão renal.

Resumo-Chave

Em lactentes, a infecção do trato urinário (ITU) frequentemente se manifesta com sintomas inespecíficos como febre, irritabilidade e recusa alimentar. A presença de piúria no EAS, mesmo com nitrito negativo, é um forte indicativo e exige tratamento antibiótico imediato para prevenir cicatrizes renais.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) em lactentes é uma condição comum e de grande importância clínica devido ao alto risco de desenvolvimento de pielonefrite e subsequente cicatriz renal, que pode levar à hipertensão arterial e doença renal crônica. A epidemiologia mostra que a ITU é mais prevalente em meninas, mas em lactentes menores de 3 meses, a incidência é similar entre os sexos, com maior risco em meninos não circuncidados. A suspeita deve ser alta em qualquer lactente com febre sem foco aparente. A fisiopatologia geralmente envolve a ascensão de bactérias da região perineal para o trato urinário. O diagnóstico é suspeitado por sintomas inespecíficos como febre, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos ou distensão abdominal, e confirmado por exame de urina (EAS) com piúria e urocultura positiva. O nitrito pode ser negativo em lactentes devido à frequência urinária e à imaturidade do sistema enzimático bacteriano. O tratamento da ITU em lactentes deve ser iniciado prontamente com antibióticos de amplo espectro, preferencialmente após a coleta da urocultura. A escolha do antibiótico e a via de administração (oral ou intravenosa) dependem da gravidade do quadro e da idade do paciente. A investigação por imagem, como ultrassonografia renal e uretrocistografia miccional, é essencial para identificar anomalias anatômicas subjacentes que predispõem à infecção e guiar o manejo a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas atípicos de ITU em lactentes?

Em lactentes, a ITU pode se manifestar com sintomas inespecíficos como febre isolada, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos, diarreia, icterícia e baixo ganho ponderal, dificultando o diagnóstico.

Por que o tratamento antibiótico é crucial na ITU em lactentes?

O tratamento antibiótico imediato é fundamental para erradicar a infecção, aliviar os sintomas e, principalmente, prevenir a progressão para pielonefrite e o desenvolvimento de cicatrizes renais permanentes.

Quais exames de imagem são indicados após uma ITU em lactentes?

Após o primeiro episódio de ITU febril em lactentes, são indicados ultrassonografia de rins e vias urinárias e, em alguns casos, uretrocistografia miccional para investigar anomalias anatômicas e refluxo vesicoureteral.

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