HPM - Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais — Prova 2015
Leia o caso clínico a seguir e marque a alternativa CORRETA. Uma criança de 40 dias de vida chega ao pronto atendimento com relato de febre há 2 dias, sucção débil e irritabilidade. Ao exame físico: Tax 38,8, FR 54irpm, FC 130bpm. O exame de urina: numerosos leucócitos, nitrito +, hemácias +++. GRAM bastonetes gram negativos. Colhida cultura. A conduta adequada é:
Lactente < 3 meses com febre e suspeita de ITU → Internação e ATB parenteral imediato devido alto risco de sepse.
Em lactentes jovens (< 3 meses), a febre e sinais inespecíficos como sucção débil e irritabilidade, associados a um exame de urina alterado, indicam uma infecção bacteriana grave até prova em contrário. A conduta é internação e antibioticoterapia parenteral empírica para cobrir patógenos comuns como Gram-negativos, visando prevenir sepse e complicações renais.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, sendo particularmente relevante em lactentes jovens (< 3 meses) devido à sua apresentação atípica e ao alto risco de complicações graves, como pielonefrite e sepse. A prevalência é maior em meninas, exceto no primeiro ano de vida, onde meninos não circuncidados têm maior risco. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir danos renais a longo prazo. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da região perineal para o trato urinário, sendo Escherichia coli o patógeno mais comum. O diagnóstico é suspeito por sintomas inespecíficos e confirmado por urocultura. Em lactentes febris, a coleta de urina por cateterismo vesical ou punção suprapúbica é preferível para evitar contaminação. A presença de leucocitúria, nitrito positivo e bastonetes gram-negativos no Gram da urina são fortes indicadores de ITU. O tratamento de ITU febril em lactentes jovens requer internação hospitalar e antibioticoterapia parenteral empírica, geralmente com cefalosporinas de terceira geração, até a sensibilidade do antibiograma. A duração do tratamento varia, mas geralmente é de 7 a 14 dias. O acompanhamento inclui ultrassonografia renal e, em alguns casos, uretrocistografia miccional para investigar anomalias anatômicas subjacentes que predispõem a infecções recorrentes.
Em lactentes jovens, os sinais de ITU são inespecíficos e podem incluir febre, irritabilidade, sucção débil, vômitos e letargia. Sinais urinários clássicos são raros nessa faixa etária, tornando o diagnóstico mais desafiador.
A internação e antibiótico parenteral são cruciais devido ao alto risco de bacteremia e sepse em lactentes jovens com ITU, além da dificuldade em avaliar a hidratação e adesão ao tratamento oral. A via parenteral garante níveis séricos adequados do antibiótico rapidamente.
Após o tratamento da ITU em lactentes, é comum a investigação com ultrassonografia de rins e vias urinárias para identificar anomalias anatômicas. A uretrocistografia miccional pode ser considerada em casos selecionados, como ITU recorrente ou achados alterados no ultrassom.
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