Febre em Lactente Pós-Diarreia: O Que Investigar?

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Menina, 7 meses de idade, previamente hígida, está internada em enfermaria devido a doença diarreica aguda. Há 4 dias, iniciada febre de até 38,3°C associada a vômitos e diarreia, com 7 a 8 episódios de fezes líquidas sem muco ou sangue. Há 2 dias, deu entrada no Pronto-Socorro com quadro de desidratação grave, recebeu expansão endovenosa, e foi mantida internada com soroterapia endovenosa devido à baixa aceitação alimentar. A soroterapia foi suspensa ontem e hoje a criança está em bom estado geral, hidratada, sem nenhuma alteração ao exame clínico, já em programação de alta hospitalar. A mãe refere que a aceitação oral foi recuperada, e que ainda apresenta 2 a 3 episódios de fezes semipastosas, já sem vômitos e sem novas queixas. Nos controles de enfermagem, notados 2 picos febris acima de 39,0°C nesta madrugada, sendo que a paciente já estava afebril há 72 horas. O exame que mais provavelmente revelará a causa do retorno da febre é:

Alternativas

  1. A) Cultura de fezes.
  2. B) Pesquisa de vírus respiratórios.
  3. C) Protoparasitológico de fezes.
  4. D) Cultura de urina.
  5. E) Todas as alternativas estão incorretas.

Pérola Clínica

Lactente com febre após melhora de DDA → suspeitar de ITU, mesmo sem sintomas urinários.

Resumo-Chave

Em lactentes, a infecção do trato urinário (ITU) pode se manifestar apenas com febre, especialmente após um quadro de doença diarreica aguda (DDA) que pode predispor à contaminação perineal. A febre que retorna após um período de apirexia em um lactente previamente hígido, sem outra causa aparente, deve levantar a suspeita de ITU, justificando a realização de urocultura.

Contexto Educacional

A doença diarreica aguda (DDA) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos. Embora a maioria dos casos seja autolimitada, complicações como a desidratação grave e distúrbios eletrolíticos são frequentes e exigem internação. A febre é um sintoma comum na DDA, mas sua persistência ou retorno após a melhora do quadro gastrointestinal deve sempre levantar a suspeita de uma infecção secundária ou concomitante. Em lactentes, a infecção do trato urinário (ITU) é uma das causas mais comuns de febre sem foco e pode ser desencadeada ou agravada por quadros de DDA devido à contaminação da região perineal. O diagnóstico de ITU em crianças pequenas é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas, sendo a febre o principal sinal. A urocultura, preferencialmente por punção suprapúbica ou cateterismo vesical, é o padrão-ouro para o diagnóstico. O manejo da febre em lactentes exige uma abordagem sistemática para excluir causas graves. A suspeita de ITU em um lactente com febre recorrente ou persistente após DDA é crucial para evitar complicações renais a longo prazo. O tratamento precoce com antibióticos apropriados, após a coleta da urocultura, é fundamental para preservar a função renal e prevenir cicatrizes renais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de infecção urinária em lactentes?

Em lactentes, os sinais de ITU são frequentemente inespecíficos, podendo incluir febre, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos, diarreia ou icterícia. Sintomas urinários clássicos como disúria ou polaciúria são raros nessa faixa etária.

Por que a urocultura é o exame mais provável para o retorno da febre neste caso?

A urocultura é o exame mais provável porque a febre que retorna após um período de apirexia, sem outros sintomas evidentes, é um sinal clássico de ITU em lactentes. A DDA pode predispor à ITU por contaminação perineal, e a ITU é uma causa comum de febre sem foco aparente em crianças pequenas.

Como diferenciar uma febre por DDA de uma febre por ITU em lactentes?

A febre por DDA geralmente cede com a melhora do quadro diarreico. Uma febre que persiste ou retorna após a resolução dos sintomas gastrointestinais, especialmente após 72 horas de apirexia, sugere uma causa secundária, como a ITU, e deve ser investigada ativamente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo